Depoimentos reforçam tese de duplo homicídio, diz polícia
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 12 (AE) - Os delegados Antonio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que estão à frente das investigações das mortes do empresário Paulo César Farias, o PC, e da namorada dele, Suzana Marcolino, disseram hoje que os depoimentos colhidos até agora pela polícia reforçam a tese de duplo homicídio. Eles fizeram essa avaliação hoje à tarde, depois dos depoimentos da prima de Suzana, Zélia Maciel, e da cabelereira da namorada de PC, Rosa Maria Alves de Souza.
Os dois depoimentos foram acompanhados pelo promotor Luiz Vasconcelos. O depoimento de Zélia foi interrompido para que Lessa buscasse uma fita de vídeo, na casa da irmã de Zélia, na qual Suzana aparece descalça, ao lado da prima, que tem 1,59 metro. Segundo o delegado, na fita, fica bastante evidente que Suzana era mais baixa que a prima, portanto, fica provado que ela tinha realmente entre 1,55 a 1,57 metro de altura. "Essa diferença da altura de Suzana, que aparece no laudo oficial com 1,67 metro de altura, pode confirmar que ela não cometeu suicidio", afirmou Lessa.
Durante o depoimento da cabeleireira de Suzana, os delegados comprovaram que a namorada de PC não tinha motivo algum para cometer suicídio. Segundo Rosa, no fim da tarde de sábado, 22 de junho de 1996, um dia antes do crime, Suzana estava se arrumando no salão de beleza, quando recebeu uma ligação de Zélia e falou com entusiasmo com a prima. "Ela estava irradiante e alegre, até marcou um encontro com Zélia para segunda-feira, na casa de PC", disse Rosa aos delegados.
Em função da greve da Polícia Civil, os depoimentos foram tomados na sede da PF. A primeira ser ouvida foi Zélia, que chegou à sede da PF, acompanhada da irmã Márcia. Zélia prestou depoimento durante quatro horas ininterruptas. A depoente confirmou haver comprado a suposta arma do crime juntamente com Suzana, mas acrescentou que não a viu praticar tiro ao alvo. "Apenas escutei os estampidos", disse Zélia aos delegados e ao promotor.
Zélia acrescentou ainda no depoimento que Suzana não tinha 1,67 metro de altura, conforme consta do laudo do médico legista Fortunato Badan Palhares, que foi referendado pelo médico legista alagoano Gerson Odilon. "Suzana era bem mais baixa que eu, devia ter 1,56 metro de altura; no primeiro depoimento, neguei alguns pontos, temendo represália da família Farias, principalmente por se tratar de um caso de grande alcance", disse Zélia.
Para Lessa, o depoimento da cabelereira foi de suma importância. "A Rosa afirmou que, em nenhum momento, Suzana falou de suicídio ou mesmo de alguma briga entre ela e PC", revelou o delegado. Segundo ele, Rosa disse que Suzana estava se produzindo para encontrar PC na noite do crime. "A Suzana estava muito alegre e, quando deixou o salão, deu uma grande risada; por isso, eu não acredito que ela tenha cometido suicídio, nem tão pouco matado PC", contou a cabelereira.
Rosa disse ainda que mantinha uma estreita amizade com Suzana e garantiu que a amiga não sabia atirar, como também não mexia com mediunidade, conforme consta na primeira fase do inquérito policial. "A cada momento, a tese de crime passional fica mais distante, mas continuamos trabalhando, e o que podemos dizer agora é que a versão de suicídio está completamente descartada", disse o delegado Andrade.
O depoimento de Rosa terminou no início da noite e alguns detalhes revelados por ela não foram divulgados pelos delegados.
"Existem alguns pontos nos depoimentos que vamos checar; por isso, não vamos revelar agora", adiantou Lessa. O delegado informou ainda que o médico legista alagoano George Sanguinetti pediu para ser ouvido no inquérito. "Estamos estudando essa possibilidade; o que está descartado mesmo é a exumação do corpo da Suzana", afirmou Lessa.
Os delegados pediram mais um prazo ao juíz Alberto Jorge Correia de Lima para concluir as investigações sobre o caso. Eles disseram que têm várias pessoas para ouvir, entre elas os filhos de PC: Ingrid e Paulinho. Segundo os delegados, o depoimento dos filhos de PC ainda não aconteceu porque depende de uma autorização do deputado Augusto Farias (PFL-AL), que é o tutor dos sobrinhos. "Estamos aguardando que o deputado marque uma data para que os garotos sejam ouvidos", finalizou Lessa.


