São Paulo, 06 (AE) - A investigação da Procuradoria-Geral de Justiça sobre fraude no concurso para promotor do Ministério Público de São Paulo reforça a suspeita sobre integrantes da banca examinadora que teriam participado do esquema de vazamento de informações. Candidatos favorecidos revelam que "outros examinadores" da Comissão de Concurso podem ter passado questões que caíram na prova escrita.
A quebra do sigilo beneficiou pelo menos oito alunos do cursinho preparatório da Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha, localizado em Marília (450 quilômetros da Capital). O procurador Artur Pagliusi Gonzaga, coordenador do cursinho, fazia parte da comissão. Apontado como o principal envolvido na fraude, Pagliusi foi afastado da banca por determinação do procurador-geral, Luiz Antonio Marrey. Promotores e procuradores avaliam que o concurso está "contaminado" e exigem a dissolução da comissão.
Outro procurador, Roberto da Freiria Estevão - integrante do àrgão Especial do Colégio de Procuradores e professor no cursinho de Marília - é citado na apuração. Segundo Fernanda Rivaben Justino, candidata do concurso, "o professor Estevão sempre comentou com os alunos sobre os temas preferidos dos examinadores". Fernanda contou que foi montada uma "classe especial preparatória" para a segunda fase (prova escrita) do concurso, com aulas sob orientação exclusiva de Estevão.
Influência - As aulas eram realizadas sempre à noite em uma classe separada. "Ele falava que conhecia os examinadores, em especial o dr. Artur Pagliusi", afirmou. "O professor dizia que o único com quem não tinha muito contato era o advogado (Renato Mange) membro da banca." A candidata declarou: "Ele (Estevão) falava que o dr. Artur era um líder por natureza e teria influência sobre os membros da banca." Fernanda acrescentou que Estevão citava os nomes dos examinadores "e dizia a preferência de cada um".
Ainda de acordo com Fernanda, Estevão afirmava conhecer os integrantes da banca. "Ele sempre dizia que estava voltando de uma conversa com o dr. Artur e tinha informações." Certa vez
o procurador teria dito em aula: "Estive conversando com o dr. Artur e ele disse que tal coisa não vai cair." Outra vez: "Estou voltando de uma conversa com os outros examinadores."
Na véspera da prova, Estevão "disse que conversou com o dr. Artur e declarou que o tema mais provável seria tipo penal ou crime contra a administração". Segundo Fernanda, "parecia que o professor Estevão tinha contatos muito bons". Ela concluiu que "de acordo com o direcionamento dado por Estevão houve uma grande semelhança (com o que caiu na prova)".