Depoimentos precisos ajudam CPI
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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Edson Luiz (enviado especial) 
Campinas, SP, 19 (AE) - A sessão de hoje da CPI em Campinas foi uma das mais importantes dos últimos dois meses. Além do depoimento do traficante Aryzoli Trindade Sobrinho, dois policiais foram detidos. Jean Constâncio desacatou o deputado Robson Tuma (PFL-SP) durante seu depoimento, enquanto que José Francisco Cheddel Lamar, que escoltava os parlamentares, foi acusado pelo delegado de Ribeirão Preto, de ser proprietário de um caminhão preso com carga de cigarros roubados na cidade.
Todas as informações prestadas por Sobrinho foram confirmadas pelo caminhoneiro Jorge Meres, durante a acareação feita na manhã de hoje. Quando o traficante citava nomes incompletos, Meres os corrigia, inclusive dando números de telefones e até mesmo métodos de funcionamento do crime organizado em Campinas. Só quem não aceitava as afirmações de Sobrinho era o advogado Artur Eugênio Mathias. "Isso é uma armação", afirmou o advogado, acusado por Sobrinho de estar presente em Viamão (RS), quando negociou a venda de 120 quilos de cocaína à William Sozza. Artur Mathias está preso desde quarta-feira, por suspeita de envolvimento com narcotráfico. "Eu nunca estive lá", acrescentou Mathias. "É ele mesmo", confirmou Aryzoli Sobrinho, ao ver a chegada do advogado ao plenário do fórum.
Meres disse que não conhecia Aryzoli, mas ao saber de seu apelido, Ary, afirmou que era um traficante muito falado entre os integrantes da organização. "O telefone dele é esse aqui", afirmou Meres, informando o número do celular que o traficante usava. Quando tratava-se de caminhões trocados por cocaína, se Sobrinho não lembrava das cores, imediatamente Meres as fornecia. Até mesmo o nome do funcionário da Receita Federal em Corumbá, que facilitava a entrada dos carros roubados, foi confirmado pelos dois. "Ele era conhecido por Carioca", disse Meres, enquanto que Sobrinho descrevia as características da pessoa.
Apreensão - Na madrugada de hoje, a Polícia Federal interditou um frigorífico suspeito de negociar mercadoria roubada. Numa ação realizada a partir de um telefonema dado ao disque-denúncia da CPI, a PF prendeu duas pessoas que estavam armadas com uma pistola 380 e uma escopeta calibre 12. Segundo a PF, não foi confirmada que a carga, que estava sendo descarregada, era mesmo roubada, mas estava sendo transportada de forma ilegal e sem notas. A Receita Federal e a Secretaria de Fazenda do Estado investigam a origem da carne.


