Agência Estado
De Vitória
Diante da ausência de provas materiais, os advogados de acusação e defesa do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Junior, vão se basear apenas em depoimentos testemunhais no julgamento que começa hoje, as 8 horas, no Fórum Muniz Freire, no centro de Vitória. Rainha é acusado de co-autoria pelas mortes do fazendeiro José Machado Neto e do soldado PM Sérgio Narciso Silva, durante conflito entre sem-terras e seguranças de Machado em sua fazenda, a Ypuera, em Conceição da Barra, no norte do Espírito Santo, em 5 de junho de 1989.
A defesa sustenta que o líder do MST estava em um acampamento dos sem-terra em Madalena, no sertão do Ceará, no dia do crime. Três das cinco testemunhas arroladas no processo - os vereadores Narcílio Andrade (PMDB) e Átila Bezerra (PSC), de Fortaleza, e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Quixeramobim, Antônio Ednilo - confirmam que estiveram com Rainha no dia 5 de junho.
A tese da acusação, porém, é contrária. Com base, principalmente, no depoimento do motorista José Jorge Guimarães, o Zé do Coco, os advogados Marco Antônio Gomes, Jucilande Borges e a promotora Ivanilce da Cruz Romão afirmam que José Rainha não só estava em Conceição da Barra como ajudou a organizar a resistência dos acampados contra os seguranças de Machado.
Em seu primeiro depoimento à Justiça, Zé do Coco afirmou que havia levado Rainha para a fazenda no dia do crime, mas o descreveu como um homem ‘‘gordo, sem barba e bigode’’, quando ele é magro e alto e usa barba e bigode. Em 1997, porém, o motorista prestou um novo depoimento, em cartório, no qual diz que mudou seu relato na época do crime, porque estaria sofrendo ameaças de morte do MST.
‘‘Um réu que muda o seu depoimento (Zé do Coco) por pressões da acusação, não é digno e não se pode levar a sério’’, afirmou o jurista Evandro Lins e Silva, que faz parte da banca de defesa do líder sem-terra.

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