Rio Branco, 15 (AE) - Dos seis depoimentos tomados ontem (14) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico dois relacionam o deputado José Aleksandro (PFL/AC) ao comércio de droga no Acre. A informação é do deputado Ricardo Noronha (PMDB/DF), membro da comissão.
A partir das declarações do investigador José Custódio, a Polícia Federal iniciou uma série de diligências para encontrar possíveis provas da participação de Aleksandro no narcotráfico e em alguns homicídios. A deputada Laura Carneiro (PFL/RJ) disse, no entanto, que "é prematuro supor que Aleksandro esteja envolvido no tráfico".
As informações de Custódia são, segundo o deputado Antonio Biscaia (PT/RJ), "a mais importante prova" colhida nesta série de oitivas. No começo da noite, foram ouvidas três testemunhas secretas -um traficante preso em Cruzeiro do Sul, um homem de codinome Ezequiel e uma mulher sem nome fictício. Os parlamentares tentaram conseguir deles um depoimento público, o que transformaria suas declarações em prova contra o narcotráfico. Os três se negaram a aparecer em público mesmo com a garantia de que se mudariam do Acre com outras identidades.
Os seis deputados da CPI viajaram hoje para Brasília. Na segunda-feira, outro grupo da CPI vai ao Piauí para tomar depoimentos de testemunhas e de pessoas citadas como integrantes do crime organizado naquele Estado. A CPI poderá buscar informações que confirmem a existência de uma conexão de traficantes e matadores do Acre com piauienses. Um dos elos seria a morte de José Hugo da Silva, cujo corpo foi encontrado no Piauí.
Por volta das 21 horas, os deputados encerraram a série de depoimentos anunciando que 33 pessoas ainda continuam sendo investigadas por questões ligadas ao tráfico no Acre. O delegado Ademar Frota retirou 41 nomes da lista que apresentou à CPI no mês passado, em Brasília, mas reafirmou que vários dos citados são traficantes. Frota foi afastado do cargo há um ano por ter espancado a mãe de um preso em sua delegacia. A mulher, de 52 anos, queria apenas visitar o filho. Fita de vídeo - A Polícia Federal lacrou por cerca de uma hora alguns departamentos da TV Gazeta, afiliada da CNT, em busca de uma fita de vídeo em que o agente civil Walter José Ayala falava sobre o esquadrão da morte. A fita, segundo o superintendente da PF, passará por uma perícia e será encaminhada ao Ministério Público Federal.

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