Depoimentos de testemunhas complicam situação de estudantes
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quinta-feira, 24 de abril de 1997
Agência Estado 
Roberto CastroO delegado Valmir Carvalho (em pé) ouve o depoimento do advogado Evandro Pertence, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal, Sepulveda Pertence. Ele é uma das testemunhas do assassinato do índio pataxó, Galdino Jesus dos Santos, que ajudou a socorrer logo após ter sido incendiadoBRASÍLIA - A polícia do Distrito Federal enviará hoje à Justiça o inquérito que apura a morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, queimado vivo por cinco estudantes na madrugada de domingo. Ontem, o delegado da 1ª Delegacia Policial, Valmir Alves de Carvalho, ouviu três policiais militares, o advogado Evandro Pertence e José Maria dos Santos, que prestaram socorro ao índio. As testemunhas disseram que não viram nenhum cobertor no local, e que Galdino tinha fogo até no rosto.
Os depoimentos agravaram ainda mais a situação dos acusados, segundo Carvalho. Isso prova que o ato foi feito por maldade, avalia o delegado. A comprovação de que não havia cobertor no local, conforme a polícia, prova que os estudantes Eron Chaves de Oliveira, Max Rogério Alves, Tomás Oliveira de Almeida, Antônio Novély Vilanova e G.N.A.J atearam fogo no corpo da vítima. Colocar fogo no pé ou em um cobertor é uma coisa, mas atear fogo no corpo é outra diferente, mostra que a maldade foi maior, disse o delegado. O advogado Rommel Parreira Corrêa, que defende três dos acusados, confirma a existência do cobertor.
No depoimento prestado ontem o sargento PM Rojas Bonifácio Rodrigues, comandante da patrulha que prestou socorro ao índio, afirmou que não havia nenhum indício da existência do cobertor. Nós nos preocupamos antes em socorrer a pessoa, mas nenhum dos integrantes da guarnição viu qualquer coisa parecida, disse o sargento. Se este cobertor existisse, haveria cinzas ou pedaços dele pelo chão. Segundo o sargento, o índio se debatia e gemia de dor. O que eles fizeram não se faz nem com um animal.
O depoimento mais importante de ontem foi do advogado Evandro Pertence, filho do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Sepúlveda Pertence. Evandro chegou acompanhado pelo assessor de imprensa do STF, Irineu Tamanini. Depois de conversar por mais de uma hora com o delegado Valmir Carvalho, saiu sem dar declarações. Segundo Carvalho, o advogado assegurou que não viu qualquer coisa parecida com um cobertor. Ele preocupou-se em socorrer a vítima, antes de tudo, afirmou o delegado. Evandro contou ainda que Galdino tinha fogo por todo o corpo, até no rosto.
O inquérito deve seguir hoje para a Justiça já acompanhado de oito laudos do Instituto de Criminalística de Brasília. Dois deles são referentes à vistoria feita no Monza e no Honda Civic, carros usados pelos acusados antes e durante o crime; os demais são exames de corpo delito feito nos estudantes e no cadáver de Galdino, e o laudo pericial do local do crime.


