São Paulo, 16 (AE) - Os depoimentos do engenheiro civil Gilberto Trama, de 37 anos, ex-administrador regional da Lapa, e do fiscal Januário Costa Santos, de 47, ouvidos pelos policiais que investigam o caso de pagamento de propinas, apresentaram contradições. Em comum, os dois depoimentos têm o fato de citar e comprometer o vereador José Izar (PFL). Trama disse que Izar o teria pressionado para que ele liberasse um estabelecimento comercial, embargado na região, por falta de alvará de funcionamento do Corpo de Bombeiros.
O engenheiro garante, porém, que não cedeu às pressões e orientou o proprietário do empreendimento que seguisse os trâmites legais. Contra o ex-regional pesa a denúncia de ter recebido um cheque de R$ 6 mil para liberar o funcionamento da empresa. Segundo Trama, um sócio da empresa chegou a perguntar a ele se R$ 12 mil poderiam resolver o problema, mas o engenheiro afirmou ter agido como se não houvesse compreendido a insinuação. Em seguida, outro sócio teria ligado, pelo celular, para Izar. Em uma conversa de cerca de dois minutos, o vereador teria pedido que Trama "fizesse o possível para conseguir a licença de funcionamento" porque o proprietário era "seu amigo". De acordo com o depoimento, em nenhum momento Izar teria falado em dinheiro para isso.
Conforme policiais, o proprietário do estabelecimento, que havia sido fechado por falta de documentação, já reconheceu Trama como a pessoa com quem negociou o pagamento. O ex-regional negou ter conhecimento de transações financeiras envolvendo o valor de R$ 6 mil. Cheque - Januário Santos sustenta que o ex-administrador regional o chamou no corredor e pediu a ele que trocasse um cheque, justamente no valor de R$ 6 mil. "Ele não falou e eu também não perguntei e não percebi de quem era o cheque", alegou Santos. "É óbvio que o Gilberto não quis depositar o cheque na conta dele para não se incriminar; estou preso por causa dele", afirmou. Policiais encontraram na casa de Santos dezenas de cartões de estabelecimentos comerciais e empresários da região que tinha a obrigação de fiscalizar.
Em sua casa foram encontrados autos de instauração de multas em branco. Segundo Santos, esses documentos deveriam ter sido destruídos, mas ele teria "esquecido" de fazê-lo. O ex-funcionário público também guardava em casa uma cópia do alvará de localização e funcionamento do estabelecimento comercial que teria sido reaberto ilegalmente, após o pagamento dos R$ 6 mil. (Gláucia Leal)

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