Depoimentos apontam para falha de segurança, diz delegado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Angela Lacerda 
Recife, 14 (AE) - O delegado Washington Luiz, que apura as responsabilidades no acidente que matou o menino José Miguel Fonseca Júnior ouviu, durante a semana, o proprietário do circo, Alexandre Vostok, funcionários, pessoas que se encontravam na platéia e familiares do garoto. O delegado afirmou que os testemunhos apontam como motivo do ataque do leão falha na segurança do circo, uma vez que, de acordo com vários depoimentos, não havia ninguém impedindo a passagem do público perto da jaula dos leões armada no picadeiro.
Na próxima semana ele deve receber o laudo do Instituto de Criminalística (IC) que fez vistoria no local e nos equipamentos. O laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) revelou que Juninho morreu de choque decorrente de ferimentos penetrantes de tronco e pescoço com secção total de coluna vertebral. "A cabeça da criança só não saiu do corpo porque a pele segurou", disse o delegado. O laudo indicou que nenhuma parte do garoto foi comida pelos leões. Ele teve o braço direito decepado, as vísceras expostas e mordidas por todo o corpo.
Juninho havia ido ao circo, com o pai, a irmã Mirela, de três anos, e o primo Alisson Pablo, de 10. No intervalo do espetáculo, às 19 horas, eles foram fazer fotos com pôneis atrás do picadeiro. A foto custava R$ 5,00. Na volta, o menino e seus acompanhantes passaram ao lado da jaula, que havia sido recém-armada no picadeiro e se encontrava vazia, a fim de retornar às suas cadeiras. De repente, um leão surgiu na jaula e atacou Juninho, pegando-o pelo braço direito e puxando-o para dentro da jaula. Para isso, o leão conseguiu envergar a grade da jaula.
O pai e outras pessoas que se encontravam próximas ainda lutaram em vão para tirar Juninho das garras do animal, batendo nele com cadeiras. Dentro da jaula, o corpo de Juninho foi atacado por um segundo leão e levado para o carro-jaula onde eles ficam. Para impedir que a criança fosse devorada, policiais militares mataram os dois animais, por volta das 21 horas. Pouco depois das 22 horas, outros dois leões foram executados a tiros porque estavam muito excitados e ameaçavam entrar na jaula onde ainda se encontrava o corpo da criança que só foi retirado pelo IML no início da madrugada da segunda-feira. Dos cinco leões do circo, apenas um sobreviveu e foi enviado para o zoológico do Recife.
Os peritos do IC constataram a falta de uma cerca de proteção junto à jaula e o material pouco resistente das grades, entre outras falhas na segurança. Alexandre Vostok garante que o seu circo é um dos mais seguros do mundo, seguindo normas internacionais. Ele reconhece que houve falha humana. "Ninguém podia transitar naquela área", afirmou ele, lamentando a tragédia. "Houve um problema de desorganização interna do circo".


