Rio, 13 (AE) - A CPI do Narcotráfico acredita ter encontrado indícios de conexão do tráfico de drogas supostamente praticado por militares reformados da Força Aérea Brasileira no Aeroporto de Maricá (a 55 km do Rio) com o esquema comandado por Wlliam Sozza, empresário de Campinas. O capitão reformado da FAB Norberto Novotini, instrutor de vôo da Escola de Pilotagem de Maricá, foi intimado hoje a depor na CPI, mas não havia sido localizado pelo delegado Anestor Magalhães, titular da 89ª DP (Maricá), até as 18h. Caso não seja localizado amanhã (14) pela promotora de justiça Rosana Barbosa Cipriano, ele poderá ter sua prisão preventiva decretada.
Novotini foi apontado hoje pelo vendedor de aeronaves Plínio Ferreira Filho, em depoimento reservado à CPI, como integrante de um esquema de venda de aviões roubados e tráfico de drogas entre Maricá e Atibaia (SP). Também foram citados nomes de outras dez pessoas que participariam da rede.
Ferreira Filho, cujo pai, o major reformado Plínio Ferreira, foi chefe de manutenção da Escola de Pilotagem, afirmou que os dois receberam proposta de dois supostos compradores de aviões, para trabalhar em Atibaia, mas não aceitaram por desconfiar que, na verdade, se tratava de um convite para envolvimento com o tráfico.
O major foi demitido, no início do ano, pelo coronel reformado da FAB Paulo Roberto Machado, então diretor da Escola de Pilotagem. Para o lugar de Plínio, Machado nomeou o capitão Novotini. A CPI suspeita que haja ligação entre a morte do coronel Machado, assassinado em abril, com a de dois supostos traficantes, mortos no mesmo período em Maricá.
A deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), sub-relatora da CPI, disse que Plínio chegou a ir a Atibaia, em agosto de 1998, onde teria recebido a proposta para participar de um esquema de falsificação de documentos de aviões roubados na Bolívia. A proposta teria sido feita pelo dono de uma boate de Campinas, que faria viagens frequentes até Maricá.
O delegado Magalhães citou também a possibilidade de envolvimento com o tráfico de drogas. "O Plínio disse que recebeu proposta para ir a Campinas trazer maconha e cocaína, mas teve medo e afastou-se", afirmou o delegado. "Ele é a testemunha principal".
O deputado Paulo Baltazar (PSB-RJ) disse que poderá haver a quebra de sigilo bancário das pessoas envolvidas. "Surgiram agora novos indícios de uma conexão Atibaia-Campinas-Maricá", comentou.
Plínio disse também no depoimento que a operação treinamento realizada pela FAB, em abril, no Aeroporto de Maricá, com um avião Bandeirante, teria descarregado caixas de 80 quilos, de conteúdo não identificado, em uma fazenda próxima ao local. Até o início da noite tinham sido ouvidas outras duas testemunhas de um total de seis.
O auxiliar de serviços da Escola de Pilotagem, Rodnei Santos
confirmou em parte o que Plínio havia dito mas não trouxe novidades para as investigações da CPI. O encarregado de operações da Escola, Marciano José Gomes, estava sendo ouvido, em sessão reservada, às 18h20. Gomes é apontado pela CPI como amigo pessoal do coronel Machado e poderia esclarecer pontos sobre a morte do coronel.

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