Depoimento incrimina jurado que atuou no julgamento de oficiais no Pará
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 23 (AE) - Em depoimento ao Ministério Público, Paulo Fernando Brito, que não foi sorteado para participar como jurado da sessão do Tribunal do Júri de Belém que absolveu os oficiais apontados como responsáveis pela morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, no sul do Estado, em abril de 1996, acusou hoje o jurado Silvio Queiroz Mendonça de ter recebido R$ 3 mil, com promessa de ganhar outros R$ 130 mil, para proferir seu voto. O coronel Mário Pantoja, o major José Maria Oliveira e o capitão Raimundo Lameira lideraram os policiais militares que entraram em confronto com os sem-terra em Eldorado dos Carajás.
As declarações de Brito foram prestadas aos promotores criminais Claudomiro Lobato e Olinda Tavares, que passaram duas horas interrogando o jurado numa sala do Ministério Público onde estava presente a vice-prefeita de Belém, Ana Júlia Carepa (PT), autora da denúncia publicada na edição da revista "Época" desta semana. Os promotores não permitiram a presença da imprensa na sala onde Brito foi interrogado e nem liberaram cópia do depoimento. O jurado driblou os jornalistas e saiu pelos fundos do MP. "Ele está com medo e precisa ser protegido", justificou a vice-prefeita. Os promotores também não quiseram falar com a imprensa.
Segundo Ana Júlia, Brito disse que Mendonça tomou inicialmente como uma "brincadeira" as palavras do jurado, mas depois, com o desfecho do resultado favorável aos três oficiais, ficou convencido de que havia "coisa muito séria". Mendonça ficou sabendo do depoimento de Brito no início da noite e negou enfaticamente que tivesse feito qualquer comentário sobre suborno com alguém. Ele disse que está disposto a participar de uma acareação com Brito e marcou para amanhã, pela manhã, uma entrevista coletiva para "desmascarar esse cidadão".


