São Paulo, 02 (AE) - Os delegados que investigam o esquema de propina na Administração Rregional da Penha devem concluir domingo o depoimento de Vicente Viscome (sem partido), que começou na quinta-feira. No total, ele já foi ouvido mais de 15 horas. Hoje o vereador, preso na última quarta-feira, chegou à Divisão de Registros Diversos (DRD) às 8h30. Quando os repórteres perguntaram se ele era inocente, Viscome respondeu: "A Justiça responderá para vocês."
O depoimento foi reiniciado às 9 horas e Viscome negou as acusações de que seria o líder do esquema de propinas na regional. Ele admitiu, porém, que indicou os principais acusados do esquema para trabalharem na regional, entre eles, os ex-fiscais Ivan Marcio Gitahy, o Coronel, o ex-administrador regional da Penha Paulo Roberto Tirolli e a assessora Tânia de Paula.
Hoje foi realizado o interrogatório propriamente dito. Viscome alegou desconhecer a maioria do conteúdo do depoimento das testemunhas ouvidas pela polícia, inclusive da assessora Tânia de Paula. Na segunda-feira, deverá ser realizada uma acareação entre o vereador e Tânia. "A acareação servirá para mostrar quem tem mais firmeza nas respostas", explicou o delegado Naief Saad Neto, que conduz o inquérito.
Viscome pode ser beneficiado com a delação premiada, artifício jurídico que autoriza redução da pena do réu caso ele acrescente informações inportantes o inquérito. Viscome foi indiciado por concussão e formação de quadrilha. Segundo o delegado Saad Neto, ele também pode ser indiciado por prevaricação.
No depoimento, Viscome afirmou que todos os seus assessores eram de confiança e negou que tenha pago advogados para vários indiciados, como Gitahy e o ex-fiscal da AR-Penha, Fernando Garcia Lepper. Segundo ele, o advogado foi apenas indicado para as pessoas que estavam sendo detidas pela polícia no andamento do inquérito, mas ele nega que tenha pago os honorários. Às 13h30 houve uma pausa de cerca de uma hora para o almoço.
Viscome comeu frango assado, encomendado em uma padaria nas proximidades do prédio na Polícia Civil. O depoimento foi suspenso por volta das 16h e será reiniciado domingo, às 16h, no DRD. Em seguida ele deve conceder entrevista coletiva à imprensa. Viscome foi novamente conduzido à Corregedoria da Polícia Civil, onde deve cumprir a prisão temporária.
A prorrogação da prisão não causou surpresa à advogada de Viscome, Lúcia Seyssel. "Isso já era esperado", declarou. Ela nega as supostas acusações de seu cliente ao vereador Wadih Mutran (PPB), publicada em um jornal de São Paulo. Ao receber a informação de que permaneceria preso, Viscome teria chorado, segundo policiais que estavam na sala.
Segundo a advogada, Viscome estava cansado após dois dias de depoimento. "Mas ele terá de ser ouvido e responder todas as perguntas", comentou Seyssel.
Domingo a polícia deve realizar uma acareação entre o ex-regional Tirolli e o fiscal Wladimir Ferreira. Na próxima semana o inquérito deve estar concluído e será remetido à Justiça. A polícia não descarta a possibilidade de ser solicitada a prisão preventiva do vereador.

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