Depoimento de suspeito não convence
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sábado, 07 de junho de 1997
Dary Júnior, 
de Curitiba
Faltou convicção ao motorista Almiro Schmidt, 27 anos, no depoimento sobre o assassinato do estudante Rafael Zanella, ocorrido na noite de 28 de maio, em Curitiba. Ele negou o crime, mas vacilou demais, a ponto de eu ter quase certeza de que trata-se realmente do autor do disparo que matou o rapaz, afirma o delegado corregedor Gílson Algauer, que investiga o caso.
O depoimento de Schmidt foi dado na última sexta-feira. Segundo Algauer, o acusado é motorista da empresa Cotrans e não funcionário público, como chegou a ser divulgado. Ele entregou uma pistola Taurus 380, que não combina com o projétil retirado da cabeça do estudante, conta o delegado. Há registro de outra arma idêntica que seria do suposto assassino de Zanella.
Conforme o depoente nos contou, essa pistola supostamente foi furtada, revela Algauer. O delegado diz ainda que Schmidt teria sido convidado pela equipe do 12º Distrito Policial para participar da operação policial que resultou na morte do estudante. O acusado vai responder ao inquérito em liberdade porque sua prisão preventiva pararia a investigação.
De acordo com o delegado, Schmidt só vai ser detido quando as evidências forem 100% conclusivas. Principalmente pelo fato de que teria havido uma farsa na apreensão de 500 gramas de maconha para forjar um flagrante e esconder o crime, esclarece. Algauer agora vai ouvir os policiais Reinaldo Siduovski, Airton Adonsk Júnior e Jorge Bressan, que conduziram a ação em Santa Felicidade. Ainda não há pista de Guilherme, o quinto homem da operação.
O motorista Almiro Schmidt foi identificado por Marcos Valduga, que estava com Zanella e acabou preso como suposto traficante de drogas. Valduga conseguiu liberdade provisória no final da tarde de quinta-feira. Ele viajou para fora da cidade com a intenção de descansar e deve falar com a imprensa no início desta semana. Wilson Gevaerd e Odair Ferreira da Silva, também acompanhantes do estudante morto, permanecem detidos no 6º DP.
Laudos - A divulgação dos laudos dos Institutos Médico Legal e de Criminalística confirmou várias suspeitas da família de Rafael Zanella. Não havia álcool nem qualquer substância entorpecente no sangue do estudante. Só houve disparo de fora para dentro, pois o projétil que matou o rapaz tinha resíduo do vidro da janela do motorista. Para completar, houve manipulação do local da morte.
Os fortes índicios de farsa confortam a família do rapaz, agora que sua imagem está limpa, constata o advogado Júlio Militão. Ele foi contratado pelos pais de Zanella, que desde a morte do estudante já contestavam a versão oficial para o caso. Com sua insistência em provar que houve execução, César e Elizabetha Zanella mudaram o rumo do inquérito e trouxeram a verdade à tona, afirma.
Os pais do estudante morto na Rua João Reffo, em frente ao Farol do Saber de Santa Felicidade, continuam em campanha contra a impunidade. Com a ajuda de parentes e amigos, eles vão distribuir cinco mil panfletos para pedir justiça no caso. A família de Zanella também deve entrar com um processo de indenização contra o Estado do Paraná, responsável pela Polícia Civil. É um direito, justifica Militão.


