São Paulo, 03 (AE) - O ex-motorista Elizeu Sanches complicou ainda mais a situação vereadora Maeli Vergniano (sem partido).
Em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fiscais, hoje à noite, ele confirmou que a parlamentar utilizava carros fornecidos pela Vega Engenharia Ambiental e levantou suspeitas de favorecimentos junto a bancas de frutas.
"Houve uma festa no gabinete e as frutas foram oferecidas por uma pessoa conhecida como Barba e o contato com ele era feito pelo Rubens Moura", disse.
Moura, segundo Sanches era pastor ligado à Assembléia de Deus, da qual Maeli é membro. "Em outros eventos era sempre ele o responsável por conseguir as frutas."
Outra suspeita levantada por Sanches diz respeito a um encontro que a vereadora teria tido com empresários de uma concessionária de veículos. De acordo com ele, que afirmou ter levado a parlamentar à reunião, os empresários tinham interesse em "colocar" carros. Ele, entretanto, não soube especificar onde e com qual finalidade os veículos seriam "colocados".
Sanches disse conhecer a vereadora desde 1977 e observou que, após sua posse na Câmara, ela comprou uma imóvel no Guarujá e um carro Mitsubishi. Ele, entretanto, disse não saber de que forma a parlamentar conseguiu o dinheiro para a aquisição dos bens.
Ele disse não ter visto o imóvel, mas ouvido comentários de outras pessoas sobre ele. "Pelo que dizem é uma bela casa."
Confirmação - O ex-motorista confirmou que quatro funcionários recebiam salários pelo gabinete da vereadora, mas apareciam na Câmara apenas para receber os salários. Isso ocorria, de acordo com ele, com Maria Rodrigues, Narciso Trindade, Dorca Magliarelli e Noemi Magliarelli.
Dorca é cunhada da vereadora e mora e dá aulas em Botucatu. Maria Rodrigues trabalhava como cozinheira na casa da parlamentar e recebia por seu gabinete. No sábado, sua exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município.
Sanchez confirmou ainda que buscava os filhos de Maeli na escola utilizando o carro alugado em nome da Vega. Ele mesmo teria retirado o veículo em uma locadora na Penha por ordem da parlamentar.
"Ela disse: Elizeu vai buscar um carro na locadora e me deu o endereço." De acordo com ele, durante algum tempo esse veículo ficava em frente da casa da vereadora e as chaves com ela.
Intimidação - Sanchez disse que sentiu-se intimidado pela vereadora no dia em que prestou depoimento à polícia. Ele disse ter ligado para o gabinete pedindo um advogado. Não foi atendido. Sanchez, então, contratou um advogado e depôs.
Ao chegar em casa encontrou diversas mensagens de Maeli dizendo que queria falar com ele. Com medo, ele dormiu na casa de parentes. No dia seguinte, voltando para casa, foi informado por sua mãe que a vereadora havia estado lá e dito que ele tinha de mudar a versão que dera à polícia.
Para o presidente da CPI, vereador José Eduardo Cadozo (PT), os fatos, se cofirmados, podem configurar improbidade administrativa e falta de decoro parlamentar.
Cardozo salientou que ainda não se pode chegar a conclusões. "Há muito ainda a ser investigado." Por meio de sua Assessoria de Imprensa, a vereadora Maeli Vergniano informou que não vai se pronunciar sobre as declarações feitas pelo ex-motorista.

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