Depoimento de Mercadante não trouxe nenhuma novidade, diz Malan
Brasília,6 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse ainda em entrevista a uma emissora de rádio, nesta manhã, que o depoimento de ontem do deputado Aloízio Mercadante (PT-SP) na CPI do Sistema Financeiro não trouxe nenhuma novidade. "O que o deputado fez foi mostrar algo que 62 bancos tinham posições compradas nesse período; 50 bancos tinham posições vendidas. Isso, convenhamos, não é uma informação de enorme novidade", afirmou o ministro.
Segundo ele, o deputado, "por quem tenho apreço pessoal", poderia ter recorrido às informações enviadas ao Senado pelo Banco Central, que esclarecem essas mudanças de posições no mercado financeiro. "O Banco Central mostrou detalhadamente que essas mudanças de comprados e vendidos no mercado sempre existem. O conteúdo de novidade nisso é zero", acrescentou. "É difícil imaginar que dos 62 que tinham posições compradas, todos tinham ou tiv eram informações privilegiadas e outros 50 não tiveram". O ministro disse ainda que essas mudanças de posições compradas para vendidas ocorreram em outras ocasiões como na crise do México, na saída de Domingos Cavallo do Ministério da Economia na Argentina, e nas crises asiática e russa.
"Em quase todas essas ocasiões, as pessoas que apostaram em uma desvalorização do Real perderam dinheiro e o Banco Central ganhou. Não me ocorre que alguém tenha dito que naquelas ocasiões aqueles que apostaram contra o Real tiveram acesso a informações privilegiadas. O fizeram porque a análise da situação que faziam sugeriu que tomassem posturas defensivas para se precaver", afirmou. "Isso é normal. Não existe nenhuma novidade no fato que existem pessoas com posições compradas, outras com posições vendidas; as vezes uns ganham, às vezes uns perdem".
"Ganharam agora porque as circunstâncias forçaram o Banco Central a adotar um sistema de flutuação", disse o ministro."É impossível depreender daí a existência de informações privilegiadas como se fosse uma consequência lógica, que é o passo político que o deputado gostaria de dar e eu acho que é muito difícil fazê-lo".





