Brasília, 20 (AE) - As primeiras contradições sobre a decisão que resultou na ajuda financeira do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam surgiram hoje (20) durante o depoimento do ex-diretor de Fiscalização do BC Cláudio Mauch à Polícia Federal.
Mauch negou que tenha participado diretamente das negociações que resultaram na ajuda aos dois bancos. No dia anterior, também em depoimento à PF, o ex-presidente da instituição Francisco Lopes garantiu que "foi o diretor Cláudio Mauch que realizou as negociações".
Mauch informou que sua participação no caso limitou-se "a determinar os levantamentos relativos à fiscalização levada à efeito na sede do Marka no Rio de Janeiro, a fim de transmitir à Presidência a situação desse banco".
O ex-diretor de Fiscalização do BC disse que não recebeu o dono do Marka, Salvatore Cacciola, e nem o dono do FonteCindam, Luiz Antônio Gonçalves, para discutir nenhum assunto relacionado com a ajuda financeira. Mauch chegou a afirmar ao delegado da Polícia Federal Luiz Pontel de Sousa que não conhece e nunca conversou com Cacciola.
Outra informação prestada por Mauch contradiz o relatório que o BC encaminhou à CPI dos Bancos. No relatório, o BC informou que não tinha conhecimento de dificuldades de nenhuma instituição específica em honrar os seus compromissos na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) antes da aprovação do voto que autorizou a venda dos dólares. O voto aprovado pela direção do Banco Central foi genérico e não se referia a nenhuma instituição.
No seu depoimento à PF, Cláudio Mauch revelou que no dia 13 de janeiro, um dia antes da decisão da diretoria, tomou conhecimento de que o dono do Marka, Salvatore Cacciola, estava presente nas dependências do Banco Central.
Ele disse que tomou conhecimento da presença de Cacciola por meio de Alexandre Pundek, assessor especial de Francisco Lopes. O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central não soube informar com quais funcionários do BC Cacciola manteve contatos e nem se ele estava acompanhado de outros funcionários do Marka.
Outra contradição é que Mauch disse em seu depoimento que os fundos do banco Marka não foram incluídos na ajuda financeira, ao contrário dos Fundos administrados pelo FonteCindam, porque "não foi feito um trabalho mais aprofundado no sentido de se verificar a situação do Marka, frente às declarações de seu presidente que esteve pessoalmente no BC, demonstrando que o mesmo se encontrava em situação mais difícil".
No relatório que o BC encaminhou à CPI dos Bancos está dito que os fundos do banco Marka não foram incluídos na ajuda financeira porque eles estavam solventes, ou seja, tinham condições patrimoniais de fazer frente às posições que carregavam na BMF naquela data e mantida a política de bandas cambiais.

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