Depoimento de camelô à CPI estabelece relação entre Garib e acusado de atentado Andréa Portella
São Paulo, 23 (AE) - O camelô Hamurabi Pereira de Oliveira depôs hoje, oficialmente, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia dos Fiscais e, pela primeira vez, estabeleceu uma relação direta entre o ex-vereador e deputado estadual Hanna Garib e o ambulante Piauí, acusado do atentado contra o ambulante Afonso José da Silva. Em seu depoimento, ele também disse ter ouvido falar que o representante da W.Sita, José Novaes, que tratava da venda de barracas para os bolsões da Prefeituta, seria cunhado ou concunhado do ex-administrador regional da Sé, João Bento, ou do ex-secretário das Administrações Regionais, Mário Alfredo Savelli.
Oliveira, que havia sido ouvido ontem informalmente pelos membros da comissão, contou que, logo após a derrota de Luiza Erundina na disputa pela Prefeitura, passou a ser perseguido por ter em seu carro adesivos de apoio à candidatura dela. "Cheguei a ter minha barraca apreendida dez vezes num dia", disse. Então, um amigo teria lhe dito que uma pessoa poderia resolver seu problema. "Fui com o Chicão até a barraca do senhor Piauí e, depois, fomos ao gabinete do vereador Hanna Garib, na Câmara".
Garib, que segundo Oliveira demonstrou ter uma ligação bastante próxima com Piauí, teria dito a ele que a situação seria resolvida. Como nada mudou, Oliveira voltou ao gabinete cerca de 15 dias depois, com seu advogado. "Ele ligou para uma pessoa e falou que estava me mandando para lá para resolver o problema". Oliveira foi encaminhado à loja do comerciante e presidente da Associação dos Comerciantes do Brás (Acob) Weber Dawalibe, o Jô. Lá, o proprietário da loja em frente da qual ficava a barraca de Oliveira lhe fez a proposta de R$ 4 mil em troca do ponto. "Disse a ele que não ia sair de lá, que ia continuar trabalhando". Mesmo assim, segundo o ambulante, não houve mais problemas com sua barraca. Questionado pelo vereador Wadih Mutran (PPB) sobre o "esquema" para instalação nos bolsões, explicou que Novaes lhe teria dito que a barraca que ele queria custaria R$ 2,2 mil. "Perguntei se poderia mandar fazer a barraca em outro lugar, mas ele disse que, se eu fizesse isso, teria o ponto cancelado". Oliveira também falou sobre o suposto parentesco entre representante da W.Sita e Bento ou Savelli. O vereador Milton Leite considerou a suspeita de "extrema gravidade". "Vamos mandar ver isso".





