Depoimento de acusado da morte de motorista de Uber é adiado
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2018
Pedro Moraes <BR> Reportagem Local 

O depoimento do réu Mateus Caetano, 23, suspeito do latrocínio que levou à morte o estudante e motorista do aplicativo Uber, Flávio Martins Ribeiro Júnior, 23, foi adiado para o dia 27 de fevereiro do ano que vem. Segundo a denúncia, o crime foi cometido por três pessoas. Dois menores estão cumprindo medidas socioeducativas. O motivo da mudança foi a apresentação de novas provas por parte do Ministério Público. A defesa alegou que não tinha conhecimento do material e pediu um novo prazo. A audiência de instrução foi realizada na tarde de quarta-feira (5), na 4ª Vara Criminal de Londrina, sob a responsabilidade do juiz Luiz Valério dos Santos. Parentes de Flávio estiveram na porta da sala de audiências com cartazes para acompanhar o caso. A expectativa da família é que Mateus seja condenado a uma pena de 30 anos de prisão. "Nada vai trazer meu filho de volta. Ele teve o futuro interrompido. Demorei a me compor para lutar por Justiça, mas agora essa é uma causa que não vou abandonar na minha vida", afirmou o pai do jovem assassinado, o representante comercial Flávio Ribeiro.
Apesar do adiamento do depoimento, a família do estudante não demonstrou desânimo. Eles já organizaram passeatas, protestos e até um abaixo-assinado em prol da redução da maioridade penal. Flávio Ribeiro, inclusive, levou o documento com 5 mil assinaturas para Brasília, em setembro. Na ocasião, ele conheceu o então candidato e agora presidente eleito Jair Bolsonaro, que prestou solidariedade e afirmou que o tema é uma de suas prioridades. "Os criminosos que cometeram essa crueldade com o meu filho já tinham passagens pela polícia. Um tinha sido preso quatro vezes; o outro, oito vezes. Foram soltos várias vezes e estavam livres para cometer esse ato de covardia. Quero que a lei mude e vou lutar para que esse caso possa contar com a mudança", explicou Ribeiro.
Em meio ao sofrimento e à luta por Justiça, o pai mantém uma angústia: o cordão de ouro com o crucifixo usado pelo filho no dia do crime não foi encontrado. Nas imagens em que aparecem os criminosos quando foram apresentados pela Polícia, um dos menores aparece com uma joia no pescoço. "Havia junto uma medalha de São Bento, que foi encontrada no chão do carro, mas o cordão não apareceu. Quero ver o que esse menor estava usando", disse o pai. Ele está tentando a ajuda dos integrantes do Ministério Público responsáveis pelo caso.
VIAGEM DERRADEIRA
O estudante de Engenharia de Produção morreu no dia 4 de março, depois de ficar vários dias internado na Santa Casa de Londrina. Ele foi alvejado no dia 26 de fevereiro, quando fazia uma corrida pelo Uber. No entanto, no fim da corrida, dois adolescentes, um de 16 e outro de 17 anos, anunciaram o assalto. Eles amarraram os pés de Júnior e, ao tentar amarrar as mãos dele, o estudante reagiu e foi atingido por pelo menos quatro tiros na cabeça. Ele foi localizado amarrado e sem documentos em uma estrada de chão próxima à avenida Saul Elkind, na Zona Norte, em estado grave. Além dos dois menores, Mateus Caetano também foi preso por emprestar o celular para realizar a chamada pelo aplicativo. O caso é tratado com segredo de Justiça.


