Marcos Zanatta
De Maringá
A Casa de Nazaré em Maringá, entidade que trabalha na recuperação de mulheres viciadas ou com gravidez precoce, está iniciando campanhas para ampliar o atendimento. Criada há pouco mais de um ano com apoio da prefeitura, a casa existe e está crescendo graças ao trabalho da Igreja Católica. ‘‘A idéia surgiu da própria necessidade de atender essas mulheres, a maior parte menores, que querem sair do vício’’, diz Maria Regina Garanhani, uma das voluntárias da casa.
A casa começou a ser idealizada pela missionária italiana Conccetta Filizola. Ela acionou o bispo de Maringá, dom Murilo Krieger, que conseguiu apoio das irmãs da Congregação Copiosa Redenção, que já tem um trabalho de recuperação de meninas em Ponta Grossa.
Da Itália vieram cerca de R$ 70 mil para dar início aos trabalhos, inclusive a construção de um dos blocos da sede própria da Casa de Nazaré. O terreno, nos fundos do Conjunto Itaparica, foi doado pela prefeitura, que também paga o aluguel da chácara onde atualmente funciona a entidade.
A área de 29 mil metros quadrados, segundo Maria Regina, vai ter três blocos para atender adolescentes e mulheres viciadas em drogas, álcool e adolescentes grávidas. Por enquanto, a casa está atendendo 12 adolescentes. ‘‘Mas a demanda é grande’’, confessa a irmã Alice Kuchar, que trabalha na casa.
A intenção, depois que a sede estiver pronta, é abrigar aproximadamente 100 mulheres. ‘‘O número de meninas com problemas cresce assustadoramente’’, admite Maria Regina. ‘‘Por isso, vamos fazer também um trabalho de prevenção’’.
A recuperação é feita através da metodologia do ‘‘amor exigente’’ e dos 12 ‘‘passos’’ do alcoólicos anônimos. ‘‘Além disso, as meninas participam de várias atividades que vão da oração aos trabalhos manuais e na horta’’, revela irmã Aline. Ela conta que as meninas vêm de todos os lugares e são de todas as classes sociais.
Na semana passada a casa abrigava meninas de Pato Branco, Foz do Iguaçu, Presidente Prudente, Santa Maria (RS) e de toda a região. ‘‘A base de nosso trabalho é o amor a disciplina’’, explica irmã Aline.
Desde que foi criada, a Casa de Nazaré já ‘‘promoveu’’ 15 meninas, como prefere dizer Maria Regina. ‘‘Recuperar é uma palavra um pouco forte, principalmente porque a mulher nunca vai conseguir apagar as marcas que ficam após o vício des drogas e da gravidez precoce’’, observa. A recuperação inclui também a família das jovens. A intenção dos voluntários é acompanhar a volta das meninas para a casa dos pais ou outro local onde elas pretendem se fixar.
O que também ajuda na ‘‘promoção’’ é o ‘‘inventário’’ que cada uma faz quando chega na casa. Elas contam as passagens mais marcantes na vida das drogas ou em outros problemas. Depois, passam a ocupar o tempo com atividades como cuidar da horta, por exemplo. ‘‘O contato com a terra ajuda muito na recuperação’’, defende irmã Aline.
Depois de seis meses, se ainda não se sentem prontas para deixar a casa, podem ficar mais três meses. ‘‘O resultado é alcançado também porque todas vêm de livre vontade, o que ajuda muito na recuperação’’, diz irmã Aline.Entidade de Maringá que trabalha na recuperação de mulheres viciadas ou com gravidez precoce quer ampliar atendimento
Marcos NegriniOCUPAÇÃOMeninas assistidas pela entidade fazem artesanato, trabalhos manuais e se dedicam a oraçõesMarcos NegriniCONTATO COM A TERRATrabalho executado na horta é um dos pontos mais importantes para a recuperação das internas

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