Dependência de crack supera a de álcool, revelam médicos
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quinta-feira, 09 de setembro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 10 (AE) - A dependência do crack superou a do álcool na capital paulista entre as pessoas atendidas pelo Programa de Farmacodependência da Secretaria Municipal da Saúde. Uma pesquisa feita pelo coordenador do programa, o médico psiquiatra Alfredo Toscano, do Centro de Referência em Famacodependência, revelou que cerca de 37% dos pacientes, a maioria entre os 16 e 25 anos, são dependentes do crack.
A droga está atingindo cada vez mais estudantes das redes estadual e municipal, jovens trabalhadores, funcionários da prefeitura e até policiais civis e militares.
O serviço atendeu nos últimos três anos 8 mil pacientes dependentes de álcool e drogas "Um fato que tem impressionado é o uso de crack cada vez mais por adolescentes", explicou Toscano. Os dependentes são atendidos por médicos psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais nas unidades de tratamento da prefeitura por um período de seis meses a um ano.
Além do tratamento médico de ambulatório os dependentes participam de terapias individuais, em grupo e o acompanhamento social é levado também aos familiares. Toscano explicou que o programa assessora ainda a Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem), as igrejas, empresas e diversos setores da comunidade.
O atendimento também é feito por telefone quando a situação é de emergência. Os médicos indicam o tratamento e informam os locais disponíveis para cada caso.
Para este trabalho o programa conta com o Disque-Drogas (telefone 3105-2645) com pessoas capacitadas para orientar os dependentes e seus familiares.
Pressão - Toscano adiantou que muitos pacientes passam pela primeira consulta e não voltam mais. "Quem vem sob pressão da família não ajuda no tratamento e acaba desistindo, o que é uma pena."
Para o coordenador do programa, o paciente que concorda em acompanhar os pais ou os responsáveis tem muita chance de ser bem-sucedido no tratamento. "Muitos dos que chegaram por livre vontade voltaram e temos pacientes que concluíram o tratamento de até um ano."
O coordenador explicou que dezenas de pessoas estão frequentando as unidades e lutando contra as drogas e o álcool. Ele contou que no início do trabalho o álcool era o primeiro na estatística. Com o passar dos meses, o crack começou a aumentar e superou o álcool com 36% dos atendidos.
Operação - O combate ao crack em todo o Estado, anunciado pelo secretário da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, deverá começar na segunda-feira. Policiais estarão percorrendo os pontos-de-venda de drogas nas favelas, proximidades das escolas e de faculdades.
Hoje, seis pessoas foram presas pela Polícia Federal, na Rua Anton Tomazini, 120, em Pirituba, com cinco quilos de cocaína. Elas fazem parte de um grupo responsável pelo envio de cocaína para a Europa em cápsulas de plástico.
José Luiz Santos, de 36, um dos presos, contou que as cápsulas eram engolidas pelas pessoas contratadas para o transporte. Um dos presos deveria viajar ontem para a Bélgica com um quilo de pó no estômago.


