São José dos Campos, SP, 19 (AE) - O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contará com o ajuda do Departamento de Defesa dos Estados Unidos para localizar o Satélite de Aplicações Científicas (Saci). O equipamento lançado no espaço na semana passada e está sem emitir sinal ou atender aos telecomandos de funcionamento. A Administração Nacional de Espaço e Atmosfera (Nasa), órgão espacial norte-americano, tem intermediado os contados entre o centro científico brasileiro e os militares estrangeiros. A intenção é conseguir uma imagem do satélite em órbita e saber se alguns de seus equipamentos vitais estão em funcionamento.
O Comando de Defesa Aeroespacial Norte- Americano (Norad) tem monitorado o comportamento do Saci no espaço. Os técnicos do Inpe pediram ajuda da Nasa, que passou a colaborar com os brasileiros na tentativa de fazer funcionar o equipamento. Os sistemas de radares do Norad, que rastreiam lixo espacial, conseguem captar imagens destes objetos em torno da Terra e enviará, nos próximos dias, as fotografias do satélite científico para avaliação dos especialistas do Inpe. "Ajudará muito se conseguirmos isto", explica o gerente do programa de satélites científicos do instituto, Himilcom Carvalho.
Os norte-americanos pediram no final da tarde de ontem (18) desenhos do Saci com os painéis solares abertos e fechados. O material foi enviado para a Nasa, que transferiu para os técnicos do Norad. Caso se consiga ter imagens nítidas do satélite brasileiro será possível eliminar algumas das hipóteses do mal funcionamento do aparelho e possibilitar a arquitetura de outras soluções de ordem tecnológica. "A situação ainda continua no mesmo estágio de antes, mas com essas imagens poderemos chegar a algumas conclusões", disse.
O Saci-1 custou cerca de US$ 4,6 milhões e foi lançado de carona com o satélite sino-brasileiro Cbers, na madrugada da última quinta-feira. Desde então está apagado. Ele foi desenvolvido pelo Inpe em parceria com várias universidades do País e possui uma previsão de vida útil de 18 meses. O equipamento leva quatro experimentos que devem coletar dados e fazer medições sobre anomalias atmosféricas como efeitos das bolhas ionosféricas, geofísica espacial, geomagnetismo, raios cósmicos e emissão solar.

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