São Paulo, 13 (AE) - Uma testemunha não identificada, de codinome Bartolomeu, que disse ser informante de dez delegacias da capital, fez aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, na noite de hoje (13), novas denúncias graves contra policiais de São Paulo - do 1.º, 3.º, 4.º, 11.º e 100.º Distritos Policiais, além de departamentos da Polícia Civil como GOE, DHPP, Denarc e Depatri. A testemunha, que permaneceu encapuzada e com colete à prova de balas por todo o depoimento, afirmou que policiais da região central da cidade participam de um esquema de distribuição de drogas e armas em viaturas, citando o nome de "Dr. Paulo", delegado do 3.º DP (Santa Efigênia), como um dos responsáveis pelos crimes. O informante afirmou também que trabalhou por vários anos com o delegado. "Apesar de não ser policial, tinha uma funcional e algemas dadas por ele."
A testemunha, que teve o depoimento suspenso e deve prestar novas declarações amanhã (14), reservadamente, dada a gravidade das declarações, citou vários episódios que comprovariam a participação de policiais no esquema. Parte dos carregamentos de drogas e armas, segundo ele, eram entregues a um empresário da região central da cidade, identificado por ele como Ming. "Certa vez, dr. Paulo recebeu R$ 40 mil do empresário, que foi buscar mais de 100 kg de drogas e armas, vindas do Paraguai, no subsolo do 3.º DP", disse. "A droga veio numa viatura do Grupo de Operações Especiais (GOE), e saiu escoltada por policiais da delegacia, para ser distribuída em favelas e na cracolândia."
Ainda segundo Bartolomeu, para que Ming não "corresse o risco" de ter parte do carregamento apreendido, ele pagaria uma propina semanal a dr. Paulo.
Além disso, equipes de policiais fariam escolta do empresário. "Presenciei viaturas do GOE descarregando caixas com armas na região da 25 de Março." O informante também narrou um episódio, segundo ele ocorrido há alguns meses. Ele teria presenciado a entrega de um carregamento de cocaína, de cerca de 260 kg, vindo da Bahia num caminhão com computadores, em casas na Avenida Tiradentes, região central da cidade.
Segundo ele, a droga pertenceria a dr. Paulo e a outro delegado, identificado por Edson (que seria do Departamento de Narcóticos, Denarc) e a um investigador, Rubinho. "Viaturas do Denarc fizeram a escolta das drogas, que foram entregues não sei para quem", disse a testemunha.
Uma apreensão de drogas realizada em São Miguel Paulista, segundo o informante, também teria sido cercada por irregularidades. "A droga, de quantidade razoável, pertencia a um sargento da PM, que está na ativa até hoje. Ele pagou a policiais do Denarc para que o flagrante fosse feito como se tivessem sido apreendidas poucas pedras." Ele também afirmou ter participado e intermediado uma compra de drogas em Governador Valadares (MG), para policiais paulistas.
De acordo com Bartolomeu, dr.Paulo também seria responsável pela venda de carteiras funcionais da Polícia Civil falsas. "Com R$ 2 mil, qualquer um comprava." A carteira fria, segundo ele, seria retirada do prédio do DHPP por um amigo do delegado.

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