Denúncias feitas contra a Limiar podem ser falsas
Maigue Gueths
De Curitiba
O caso da Limiar, organização não-governamental que intermedia adoção de crianças brasileiras por estrangeiros pode sofrer uma reviravolta nos próximos dias. A empresa acusada de colocar fotografias das crianças na Internet e de cobrar pela adoção foi suspensa há três meses pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja). Ontem, uma reportagem de O Estado de São Paulo fez com que as suspeitas de venda de crianças caíssem sobre a brasileira Soraya Lilia Trucinskas, que foi quem denunciou a Limiar à Justiça.
A Folha de Londrina/Folha do Paraná tentou contato com o Sicride e com a Ceja. Um advogado, que não quis se identificar, disse que a Comissão já suspeitava que as denúncias fossem falsas, pois a empresa sempre gozou de boa reputação. Em 15 anos, a Limiar intermediou dois terços das cerca de 1.500 adoções de crianças brasileiras por estrangeiros.
A embaixada dos Estados Unidos e americanos que adotaram as crianças, entrevistados pelo Estadão, deram pareceres favoráveis à Limiar, que segundo eles, jamais agiu de má-fé ou pareceu estar comercializando crianças. A presidente da Limiar USA, Nancy Lee Cameron, 54 anos, veio ao Brasil depor no Sicride e negou o envolvimento da empresa.
Usando o apelido de Daragaia, Soraya reivindica também a cidadania americana e até seis meses atrás alegava morar há 15 anos nos Estados Unidos, com residências na Flórida e no Texas, embora figure na folha de pagamento do Judiciário do Estado do Amazonas. Seu pai é o desembargador Daniel Ferreira da Silva, atual corregedor-geral do Tribunal de Justiça do Amazonas. Soraya/Daragaia trocou diversas mensagens com americanos interessados em adotar crianças brasileiras numa sala de bate-papo da Internet chamada Adoptbrazil. O desembargador Ozires Fontoura, corregedor-geral do Estado do Paraná e presidente da Ceja, não sabia das ligações de Soraya com a família judiciária do Amazonas e seu interesse em adoções. Exame das páginas de e-mails que sustentariam as denúncias contra a Limiar acabaram mostrando o oposto, colocando Soraya como suspeita por dar informações equivocadas sobre o processo de adoção no Brasil.





