Denúncias de tortura policial dobram em 1 ano no PA
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sábado, 23 de outubro de 1999
Por Carlos Mendes (especial para a AE) 
Belém, 24 (AE) - As denúncias de tortura, assassinatos e abuso de autoridade contra policiais civis e militares dobraram em apenas um ano no Pará. Segundo a Ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública do Estado, em 1998, foram registrados 11 casos. Em 1999, somente entre de junho e setembro, 12 denúncias foram relatadas. No total, das 36 denúncias feitas nos últimos dois anos, nenhuma chegou a qualquer solução.
De acordo com a ouvidora Marga Rothe, apenas um inquérito policial foi instaurado neste período. "Alguns foram arquivados, a maioria continua sem resposta, enquanto outros ainda estão pendentes de informações atuais." Marga se diz "muito preocupada" com a impunidade dos policiais denunciados, que continuam trabalhando normalmente. Para ela, isso representa uma "calamidade pública, que faz com que a sociedade seja a única a sair perdendo".
Um dos denunciantes, o comerciante e estudante de Direito Hildebrando Freitas, afirma ter sido espancado a chutes e socos durante várias horas na delegacia do bairro do Telégrafo
em Belém, em 1997. A sessão de torturas, segundo Freitas, foi praticada por seis policiais e autorizada pelo delegado Clóvis Martins. Freitas até hoje apresenta sequelas e mostra resultados de exames médicos que atestaram o aparecimento de tumores nos rins.
O comerciante responsabiliza o Ministério Público (MP) pela impunidade dos torturadores. "A promotora Ociralva Tabosa chegou a dizer que eu mesmo pratiquei as torturas contra mim e mandou arquivar o caso." O procurador-geral da Justiça, Geraldo Rocha, disse que o caso de Freitas será desarquivado se surgirem "fatos novos".


