São Paulo, 01 (AE) - A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil têm encabeçado, no Rio de Janeiro, as reclamações de correntistas que constatam alterações em seus saldos bancários sem nenhuma explicação. Das 3.215 queixas contra instituições financeiras feitas ao Procon no ano passado, 744 eram referentes a saques indevidos. Do total de saques, 25% foram movimentações financeiras injustificadas. Por não conseguirem identificar a causa do sumiço do dinheiro, os bancos estão tendo de devolvê-lo aos clientes com correção.
"Em aproximadamente 90% dos casos a solução é tomada no próprio Procon", disse o coordenador-geral do órgão, átila Nunes Neto. Segundo ele, desde junho de 1999 denúncias deste tipo vêm tendo aumento inesperado. "Pode ser coincidência, mas isto ocorreu na mesma época em que a maioria dos bancos lançou sites na Internet", disse ele, fazendo referência a uma possível ação de hackers (piratas de computador).
Nunes cita o caso de um senhor que teve R$ 4 mil de sua conta transferidos para duas poupanças abertas em nome de clientes menores de idade. O dinheiro foi sacado e as contas fechadas.
A pensionista Laura Pereira Dutra, de 79 anos, teve R$ 14 mil sacados de sua conta na agência do Banco do Brasil na Ilha do Governador entre os dias 8 e 15 de dezembro. Os saques foram feitos em caixas eletrônicos em locais diferentes da cidade, sem que ela tivesse perdido o cartão ou passado a senha para outra pessoa. "As retiradas eram sempre superiores a R$ 1 mil e, às vezes, repetiam-se quatro vezes num mesmo dia, o que não se consegue em caixa eletrônico", disse Sandra Pereira Dutra, filha de Laura.
Para receber a pensão de R$ 2.800,00 Laura tem de apresentar, no caixa, a carteira de identidade. "Se eu sou submetida a esta burocracia, como alguém pode retirar tanto dinheiro da minha conta sem ninguém perceber?", reclama a pensionista, que registrou queixa na polícia e no Procon para reaver o valor.
Em São Paulo, as denúncias também continuam. A enfermeira Ivanilde Fernandes disse que R$ 150,00 foram retirados de sua conta na agência Interlagos do Banco do Brasil, no dia 29 de setembro. No dia seguinte ela reclamou do ocorrido e, em 20 de janeiro foi chamada para uma audiência na agência.
"Alegaram que eu entreguei o cartão ou a senha a outra pessoa, que teria feito o saque", disse Ivanilde. Ela garantiu jamais ter deixado o cartão com terceiros. Ivanilde vai recorrer ao Juizado Especial, que cuida de pequenas causas. A polícia investiga uma quadrilha de estelionatários que estaria agindo em São Paulo. Como o número de casos é crescente, a Polícia Civil estuda criar um setor especializado.