São Paulo- O número de denúncias registradas pelo Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes (Disque 100) aumentou 78% no primeiro semestre de 2008, ante mesmo período do ano passado. De acordo com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), de janeiro a junho deste ano, o serviço registrou 20,1 mil denúncias, média de 93 casos por dia. Em 2007, a média era de 63 registros por dia, totalizando 11,2 mil casos. Se a média do primeiro semestre de 2008 se mantiver, o total de denúncias no ano será muito superior ao de 2007, que alcançou 25,5 mil.
Na avaliação do membro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Ariel de Castro Alves, a elevação do número de denúncias resulta de diversos fatores. ''Em parte, podemos considerar a maior divulgação do Disque 100. Muitas vezes, as pessoas não denunciavam porque não conheciam o serviço''. Ele citou também o caso da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, morta em 29 de março ao ser atirada da janela do prédio onde moravam seu pai e a madrasta, suspeitos pelo crime. ''Foi um alerta para a necessidade de denúncia contra maus tratos''.
Além da conscientização da população, Ariel afirmou que houve um aumento real da violência infantil gerado pela desestruturação das famílias. ''Desemprego, alcoolismo e consumo de drogas contribuem para a desagregação das famílias.''
Para ele, faltam programas públicos de orientação. ''É preciso melhorar as estruturas dos conselhos tutelares, além de criar delegacias especializadas para atender às denúncias'', disse. E ressaltou: ''O maior incentivo para que a violência continue é a impunidade''. Ele destacou que essas delegacias existem, mas não em quantidade suficiente. ''No Estado de São Paulo, há apenas uma em Araraquara e outra em Sorocaba. É muito pouco''. ''Médicos e professores também precisam ser orientados para denunciar quando identificarem casos de agressão, o Estatuto da Criança lhes confere esse dever''.
Os registros do SEDH apontaram que a maioria (61%) das crianças vítimas de abuso e violência são do sexo feminino. Sobre o tipo de denúncia, duas categorias ocupam o topo da lista: Negligência, com 35% do total dos casos, e violência (psicológica e física), 34%.

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