Denúncias comprometem trabalho de fiscalização em Pinheiros, segundo administrador
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Fabiana Gitsio 
São Paulo, 05 (AE) - O administrador regional de Pinheiros, Maurício Marcos Monteiro, disse hoje que o trabalho de fiscalização foi comprometido depois das denúncias de corrupção envolvendo o órgão. Atualmente são 12 fiscais para atender 26 setores - antes havia um por setor. "Estamos numa letargia", admitiu ele, que ocupa o cargo há três semanas.
Os cinco fiscais que saíram e vão responder a processo por extorsão e formação de quadrilha ainda não foram substituídos. O antigo chefe de Fiscalização está preso desde dezembro, acusado de ter extorquido uma comerciante. Um ex-regional, que tinha cargo na Secretaria das Administrações Regionais (SAR), está foragido e é suspeito de participar do esquema em Pinheiros.
Segundo Monteiro, os fiscais que continuam trabalhando na regional de Pinheiros enfrentam um problema de "moral baixa", principalmente aqueles que atuam no setor de apreensão de mercadorias de ambulantes. "O pessoal vem sendo hostilizado", garantiu. Um deles voltou de férias e pediu demissão, o que Monteiro atribui ao problema de moral, não ao medo de possíveis investigações.
Monteiro disse estar surpreso com as recentes denúncias envolvendo o vereador Paulo Roberto Faria Lima (PPB), sob suspeita depois que dois ex-fiscais afirmaram à polícia que o parlamentar receberia parte das propinas enquanto controlava politicamente a regional de Pinheiros. "Depois que vim para cá ele nunca veio aqui", assegurou. Entre os funcionários da regional, ninguém admite nem sequer conhecer Faria Lima.
Camelôs - Os ambulantes do Largo da Batata confirmam que a fiscalização "afrouxou". "Eles andam meio sumidos e não há mais rapa", disse o vendedor de CDs José da Silva Lopes. "Vários colegas que saíram já estão querendo voltar", garantiu um outro camelô, que não se quis identificar.


