Brasília, 11 (AE) - Alguns minutos navegando na Internet foram suficientes, hoje (11), para o diretor de Assuntos Internacionais do Centro Europeu Simon Wiesenthal, Shimon Samuels, identificar pelo menos dois sites com mensagens anti-semitas e de apoio ao nazismo mantidos por brasileiros.
Utilizando um programa de busca argentino, ele localizou outras cinco páginas organizadas por brasileiros que podem conter conteúdos racistas.
Os sites nacionais, segundo Samuels, são semelhantes às cerca de 2.200 páginas anti-semitas e de apologia ao nazismo identificadas na Internet pelo Centro Europeu Simon Wiesenthal, que tem sede em Viena. "Todas elas têm muito ódio", disse o diretor, antes de proferir palestra sobre a disseminação de mensagens neonazistas na Internet, na Câmara dos Deputados, em Brasília.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Marcos Rolim (PT-RS), propôs a criação de um grupo informal de cerca de 10 deputados para elaborar um anteprojeto de lei prevendo a regulamentação do uso da rede mundial de computadores no País, de modo a coibir a proliferação desse tipo de sites. A principal idéia defendida por Rolim e por Samuels é o fim do anonimato na criação de e-mails e páginas na Internet.
"O anonimato é uma das fontes que estimulam a divulgação do ódio e do racismo", disse Rolim, negando que a proposta tenha qualquer intenção de censurar a liberdade de expressão na rede. "O que precisamos proteger é a liberdade das crianças e adolescentes, que são expostos a tudo isso", concordou o representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), Jorge Werthein.
Uma das páginas localizadas por Samuels pertence à Editora Revisão, de Porto Alegre, cujo editor Siegfried Ellwanger Castan foi condenado na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal pelo crime de incitação ao racismo. A outra tem a sigla Nsdap - Revisionismo Histórico, que oferece pôsteres de Adolf Hitler com a inscrição "Um povo, um país, um líder", além de livros e links para sites intitulados Holocausto: a Mentira do Século.
"Não podemos ganhar a guerra contra o ódio, mas nosso objetivo é conter a infecção e fortalecer os anticorpos que garantem a democracia", disse Samuels.

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