Denunciados quatro PMs acusados de matar três jovens no litoral de SP
São Paulo, 26 (AE) - O Ministério Publico denunciou hoje quatro policiais militares do Regimento de Cavalaria 9 de Julho sob as acusações de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e abuso de autoridade por causa da detenção, espancamento e assassinato de três jovens na Baixada Santista. litoral paulista. O crime ocorreu na Quarta-Feira de Cinzas, dia 17 de fevereiro, quando os rapazes foram abordados, espancados, detidos em São Vicente e levados para um matagal em Praia Grande
cidade vizinha, onde foram mortos. Os corpos só foram achados em 4 de março.
O processo contra os acusados já foi aberto, pois o juiz Rubens Arai, da 1.ª Vara de Praia Grande, recebeu a denúncia do promotor Walfredo Cunha Campos. Segundo a acusação, 18 testemunhas reconheceram os acusados - 11 delas quando os rapazes foram abordados e outras 7 no momento em que os policiais estavam no matagal em que os corpos foram achados. Além disso, o Ministério Público tem um laudo de comparação de DNA provando que o sangue de uma mancha achada no carro dos policiais, uma Blazer, era de um dos jovens assassinados, Paulo Roberto Teixeira, de 21 anos. Além dele, também foram assassinados Thiago Passos Ferreira, de 17, e Anderson Pereira dos Santos, de 14.
Em sua denúncia, o promotor apontou os soldados Humberto da Conceição e Edvaldo Rubens de Assis como os autores do assassinato. O tenente Alessandro Rodrigues de Oliveira e o soldado Marcelo de Oliveira Christov são acusados de participação no crime. Para o promotor, o assassinato dos rapazes é triplamente qualificado porque os policiais agiram com meio cruel, não deram chance de defesa para as vítimas e porque o assassinato serviu para encobrir um crime anterior, o abuso de autoridade cometido contra os jovens. Negativa - Em seus depoimentos nos inquéritos das polícias Civil e Militar, os policiais negaram o crime. Negaram até mesmo ter abordado os rapazes, o que teria sido feito na saída do baile de carnaval do clube Ilha Porchat. O tenente Oliveira foi o único a mudar de versão. Ouvido no inquérito militar, disse ter permanecido ao lado de seus homens o tempo todo. Para o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que deixou os homens após o término da patrulha e foi para a casa de parentes na Baixada Santista. Agora, a Justiça tem 162 dias para concluir a instrução do processo contra os acusados.
Em relação ao quinto PM, que havia sido indiciado no inquérito militar, o sargento José Carlos Ferreira, o promotor propôs o arquivamento das acusações contra ele existentes nos dois inquéritos. Ao mesmo tempo, vão continuar as investigações do DHPP para tentar identificar o quinto policial envolvido no crime - um negro com bigode, visto por duas testemunhas. "Os policiais já estavam de folga quando foram a São Vicente unicamente para exercitar o instinto assassino", disse o promotor. Caso sejam condenados, os policiais militares poderão pegar entre 39 e 99 anos de prisão. Os interrogatórios dos réus deverão ocorrer na próxima semana. (Marcelo Godoy)





