São Paulo, 20 (AE) - O ex-chefe da Unidade de Limpeza Pública da Administração Regional de São Miguel Paulista Florisvaldo Santos de Oliveira, denunciado em um dos processos sobre a máfia dos fiscais na Prefeitura de São Paulo, requereu proteção à Justiça. Ele afirma que vem sendo ameaçado e coagido por telefone e pessoalmente por Sebastião Santana da Silva, que seria assessor da vereadora Aldaíza Sposati (PT), e por outros integrantes do Partido dos Trabalhadores.
Em nota à imprensa, Aldaíza Sposati disse que Silva não é seu assessor e não o conhece, assim como a Oliveira. Para a vereadora, a atitude de Oliveira não passa de "uma articulação para confundir e impedir o prosseguimento das investigações sobre a corrupção na administração da cidade de São Paulo".
O juiz-corregedor César Augusto de Andrade Castro, do Departamento de Inquéritos Policiais, remeteu a representação ao juiz da 28.ª Vara Criminal, onde Oliveira foi denunciado por concussão e formação de quadrilha, com o presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), e sete outros servidores municipais.
A denúncia foi apresentada em 22 de fevereiro por quatro promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco)e ainda não foi recebida. Refere-se a um esquema de extorsão contra ambulantes que teria funcionado de março de 1997 a janeiro de 1999, sob o comando de Mellão.
Oliveira encaminhou duas representações ao juiz-corregedor. Na primeira, datada de 2 de março, pediu proteção afirmando que ele e sua família vêm sendo ameaçados por telefone e pessoalmente por integrantes do PT, alguns filiados ao diretório de São Miguel Paulista. Eles estariam pressionando Oliveira a acusar Mellão no processo. Na segunda, datada de 14 de março, Oliveira reiterou o pedido de proteção e apontou Silva como um dos autores das ameaças.
Mellão disse que amanhã (21) receberá a imprensa em seu gabinete, quando anunciará providências de ordem legal. Acuação contra testemunhas é crime grave e enseja até a decretação de prisão preventiva, a exemplo do que ocorreu com a vereadora Maria Helena (PL). Ela esteve dois meses encarcerada até ser libertada por habeas-corpus impetrado pelo advogado Paulo Cunha Bueno.

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