Brasília, 18 (AE) - Uma denúncia recebida pela promotora de Caxias (MA), Lítia Cavalcanti, pode devendar uma grande rede de tráfico de meninas entre 13 e 16 anos, envolvendo os Estados do Maranhão, Piauí e São Paulo. As menores estariam sendo "vendidas" em São Paulo por cerca de R$ 3.000, além de servirem de "mulas" (transportadoras de droga) para traficantes do interior maranhense que abastecem a capital paulista. Só no ano passado, 14 meninas teriam sido aliciadas pelo esquema.
O relato foi feito à promotora por K.M., de 14 anos, que denunciou o "comércio de menores" na região. A garota já foi incluída no Programa Nacional de Proteção à Testemunha, do Ministério da Justiça. A promotora depõe amanhã (19) na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. A juíza Nivarna Melo, de Porto Calvo (AL), também vai prestar depoimentos à comissão sobre o mesmo assunto.
Rede - No ano passado, Lítia Cavalcanti desmontou uma rede de prostituição envolvendo políticos, médicos, empresários e até membros do Judiciário, no Maranhão. O esquema funcionava na região de Caxias, cidade maranhense, localizada a 40 minutos de Teresina, capital do Piauí. Lítia tem "fortes indícios" que o esquema de prostiuição no Maranhão e Piauí teria ainda a participação de traficantes e do crime organizado.
"De acordo com o depoimento de K., a ida das meninas para São Paulo era negociada por pessoas ligadas a esses grupos criminosos", afirmou a promotora. Pelo depoimento da menor, disse a representante do Ministério Público, as garotas aliciadas nos dois Estados estariam sendo utilizadas como "mulas" por traficantes que atuam na rota São Paulo-Maranhão-Piauí. "Para despistar da polícia, essas meninas seriam obrigadas a levar a cocaína no órgão sexual", disse Lítia Cavalcanti, que se baseia nos relatos da testemunha sob proteção. A promotora propõe que a Polícia Federal faça uma investigação minunciosa sobre o caso. Espanha - A promotora suspeita do envolvimento de integrantes do esquema com quadrilhas que traficam garotas brasileiras para a Espanha. Ela tem um depoimento, em fita cassete, de uma mãe denunciando que a filha fora levada para se prostituir em bordéis esponhóis. O caso foi denunciado à PF, que já teria pedido a ajuda da Interpol, a polícia internacional. "Há fortes indícios da existência do tráfico de garotas para o exterior".
De acordo com ela, um dos "points" da prostituição no Maranhão era o Bar do Gaguinho, em Caxias, onde, segundo as próprias garotas, eram acertados valores correspondentes à negociação de cada uma. O bar foi fechado no ano passado pelo MP após a confirmação de casos de aliciamento de menores no local para a prostiuição.
Prisão - Há um mês, a PF prendeu membros de uma quadrilha que trafica brasileiras quando tentavam embarcar, em Brasília, cinco garotas de Goiânia para Madri, na Espanha. Elas haviam recebido dinheiro em espécie, passagens e passaportes para viajar.

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