Denúncia pode levar irmão de líder do MST a perder lote em assentamento
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 07 (AE) - O assentado José Carlos Matheus, irmão do coordenador estadual e um dos líderes nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Delweck Matheus, pode perder o lote de sete alqueires que conseguiu no assentamento da Fazenda Pirituba, em Itapeva, a 285 quilômetros de São Paulo. O diretor do Departamento de Assuntos Fundiários (DAF) do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), João Leonel dos Anjos, mandou apurar denúncia de que Matheus abandonou o lote há mais de três meses. Se a informação for confirmada, segundo ele, a gleba será arrecadada e entregue a outra família. O assentado não foi encontrado.
A denúncia foi feita hoje, durante reunião que Anjos manteve com integrantes do Movimento dos Assentados Independentes (MAI). Outros três lotes que teriam sido vendidos ou arrendados também podem ser tomados pelo Itesp e destinados a reassentamento. Um deles foi comercializado três vezes e, numa delas, a transação, considerada ilegal, teve a assinatura de um dirigente do MST como testemunha do negócio. O DAF vai dividir em lotes e distribuir, após a seleção das famílias, cerca de 100 alqueires de terra que estavam sendo usados por cooperativas.
Os assentados José Carlos Duarte e Iolando Veiga, que lideram o MAI, confirmaram denúncias sobre o uso irregular das verbas liberadas para os cooperados do MST. Segundo eles, o movimento incentiva os trabalhadores a pegar o dinheiro do antigo Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera) e a não pagar. "O objetivo é desmoralizar o governo perante a sociedade", disse Veiga.


