Havana, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso condenou hoje o comércio de drogas no Congresso Nacional, denunciado em reportagem da Revista IstoÉ. "Se há tráfico de drogas no Congresso, isso é gravíssimo e tem de ser coibido", afirmou o presidente em Havana. "Tem que ser coibido, mas não é uma questão do governo federal, mas de ação local."
O presidente afirmou que o governo federal tem equipado o Estado com os instrumentos necessários para combater o narcotráfico. "O Brasil não tinha nem leis", disse, acrescentando que seu governo conseguiu aprovar a lei que tipifica como crime a lavagem de dinheiro e que aguarda a aprovação, pelo Congresso, de lei sobre o sigilo bancário. "Estou pedindo que o Congresso vote a lei de transferência do sigilo bancário sobre certas circunstâncias para evitar que narcotraficantes operem livremente", disse.
Para o presidente, entretanto, a repressão direta ao tráfico tem de ser feita pelas polícias estaduais e municipais. "Toda a sociedade tem de se mobilizar para enfrentar o problema da droga e o governo não pode se eximir, porque o narcotráfico é algo que destrói a família e aumenta a segurança."
Fernando Henrique argumentou que o fato de haver um grande consumo da droga em Brasília, local onde vivem pessoas de renda elevada, mostra que o problema da droga não é "fruto só da questão social, mas do crime organizado que é uma coisa mais séria".
O presidente ironizou o fato de o relator do projeto que proíbe a venda de armas no Brasil, Alberto Fraga (DF), ser do PMDB, partido da base, mas ser contra a proposta. Segundo o presidente, ele ainda não tem a "fórmula mágica" para convencer os aliados a acatarem propostas do governo. Mas lembrou que seu líder no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), reapresentou o projeto enviado pelo Executivo na Casa.

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