Após terem recebido uma denúncia anônima que alertava sobre uma movimentação incomum em uma marina particular desativada, policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais) da Polícia Militar conseguiram apreender 3,3 toneladas de pasta base de cocaína, em Guaratuba (litoral paranaense), neste final de semana.

Imagem ilustrativa da imagem Denúncia ajuda Bope na apreensão de 3,3 toneladas de cocaína no litoral
| Foto: Sesp/Divulgação

Estima-se que, caso fosse comercializada, a droga renderia cerca de R$ 3 bilhões aos traficantes.

Só para se ter uma ideia, a última apreensão de uma quantidade tão grande como esta no estado foi há dez anos a partir de uma ação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal, Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) e Ministério da Agricultura no porto de Paranaguá. Após um “pente-fino” no Terminal de Contêineres de Paranaguá, quase 4 toneladas da droga foram encontradas. À época, calculou-se que o lucro para o tráfico ficaria entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões.

De acordo com a PM, após a divulgação da apreensão da tarde deste sábado, os policiais foram informados de que grandes quantidades de cocaína também haviam sido apreendidas na Espanha, o que confirmaria que o ilícito seria enviado de navio à Europa.

A suspeita é de que o mesmo grupo já teria conseguido enviar uma parte em um navio uma vez que, segundo informou o denunciante, o local estava sendo usado pela quadrilha já há algumas semanas. No local, os policiais encontraram 300 kg em malas e solicitaram a ajuda de um cão farejador. Em seguida, a enorme quantidade de drogas foi encontrada no forro do imóvel alugado pelo traficantes. Três pessoas foram presas em flagrante e encaminhadas para a sede da Polícia Federal.

Segundo o capitão do Bope, Rodolfo Creden, duas pessoas apresentaram documentação do Paraná e uma do Rio de Janeiro e, em princípio, não tinham passagens pela polícia. “Mas isso está sendo averiguado, até para ver se a documentação era verdadeira. Mas pela logística que eles tinham devem ter muitas pessoas envolvidas, estes estavam apenas controlando o local e fazendo os ajustes para eles poderem se estabelecer”, explicou.

No local também foram encontrados eletrodomésticos como fogão e geladeira. Duas lanchas, dois barcos infláveis, dois veículos, R$ 15 mil em espécie, cinco celulares, aparelhos de monitoramento e equipamentos de mergulho também foram apreendidos. O objetivo da quadrilha era fazer o transbordo da droga em alto mar, a cerca de 20 quilômetros da costa.

De acordo com o capitão do Bope, embora as rotas do tráfico de drogas mudem brevemente a partir da ação conjunta das forças de segurança, de maneira geral o principal ponto de entrada no estado ainda é o Lago de Itaipu. “A nossa principal rota de entrada de drogas e de armas é Lago de Itaipu em razão da sua extensão e da dificuldade de fiscalização ali na região. Passado o lago são utilizadas rodovias secundárias. Fazendo um estudo rodoviário você consegue vir praticamente da região oeste até Curitiba sem acessar nenhuma rodovia principal”, explicou.

A partir de agora a Polícia Federal vai comandar as investigações.

No Porto de Paranaguá, a utilização de scanners nos contêineres vem dificultando a ação dos bandidos. Desta forma, segundo a Receita Federal, o total apreendido na primeira metade deste ano já supera os números do ano passado, 7,2 toneladas de cocaína contra 4,8, respectivamente.

Já dentre as principais rodovias frequentemente utilizadas pelos bandidos aparecem a BR-487 e a PR-323. Os destinos são, naturalmente, os estados vizinhos: São Paulo e Santa Catarina também em direção ao Rio Grande do Sul. “Você fecha uma porta eles tentam encontrar outra”, lamentou Creden.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Federal em Curitiba que preferiu não comentar o caso. A Polícia Militar em Londrina não divulgou o balanço de apreensões de drogas até o fechamento desta edição.

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