Dentista nos Estados Unidos era doceiro em Minas Gerais
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Renan Antunes de Oliveira 
Nova York, 27 (AE) - O tribunal do distrito de Monmouth, em Nova Jersey, 80 quilômetros ao sul de Nova York, negou nesta segunda-feira (27) pedido de liberdade provisória para o doceiro brasileiro João Pedro Ferreira da Silva, de 31 anos, preso no início do mês por exercício ilegal da profissão de dentista.
Até abril, Silva fazia rapaduras e doces de amendoim em sua cidade natal, São Gotardo, no interior de Minas Gerais. Vendia a produção no comércio local. Às vezes, pegava bicos como protético.
Ao mudar-se para Long Branch, no litoral de Nova Jersey, ele abriu um consultório dentário, para trabalhar com a clientela de imigrantes ilegais - a cidade tem cerca de 5 mil brasileiros. No início, a mulher dele sustentava a casa e o consultório, fazendo faxinas.
Silva foi preso dia 8, depois de uma denúncia anônima às autoridades locais. O juiz fixou fiança de US$ 100 mil. Ele terá a primeira audiência no próximo mês. Até lá, permanece na cadeia de Monmouth.
Em sua defesa, Silva alega que estudou Odontologia na Bolívia, cujo diploma não é aceito no Brasil, com pós-graduação no Paraguai. Nenhum dos diplomas é aceito nos Estados Unidos.
Segundo informações do Conselho Regional de Odontologia de Patos de Minas, com jurisdição sobre São Gotardo, Silva não cursou faculdade no Brasil, nem tinha registro profissional. O último emprego dele foi como balconista da fruteira Sacola Cheia
em São Gotardo.
Uma vez nos Estados Unidos, ele logo começou a conquistar clientela entre a comunidade de imigrantes. "Fazia um serviço bom e barato", conta um ex-cliente.
"O pessoal daqui nunca checa se a papelada de um doutor é legal ou não", disse, refletindo uma situação comum. Mesmo profissionais diplomados no Brasil, mas sem status legal nos Estados Unidos, trabalham acobertados pela comunidade - tais serviços têm preços proibitivos para imigrantes sem seguro social.


