Quase 20% dos brasileiros nunca foram ao dentista. O número, considerado ‘‘impressionante’’ pelo Ministério da Saúde, está na pesquisa sobre Acesso e Utilização de Serviços de Saúde, feita pelo IBGE junto com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) em 1998.
Divulgado ontem, o estudo mostra que, se o percentual for calculado para toda a população brasileira, chega-se a 29,6 milhões de pessoas que nunca tiveram atendimento odontológico. Na área rural, o percentual é de 32%. ‘‘É espantoso, eu estou abismado’’, disse o ministro da Saúde, José Serra. Entre a população que ganha até um salário mínimo, o número de pessoas que nunca foram ao dentista é nove vezes maior do que entre as que ganham mais de 20 salários.
A diferença é explicável, segundo o ministério, pelo fato de o atendimento odontológico gratuito não ser tão amplo quanto o médico e também porque a maior parte dos planos de saúde não tem nenhum tipo de cobertura odontológica.
A partir dos resultados da pesquisa, o ministério pretende ampliar o atendimento odontológico, inclusive colocando um dentista nas equipes do programa Saúde da Família, segundo foi informado hoje.
A Pnad também revelou que 86,2% das pessoas entrevistadas aprovavam o atendimento de saúde recebido em 1998. A resposta, no entanto, não se refere apenas ao atendimento do SUS (Serviço Único de Saúde), mas também àqueles que usaram planos de saúde ou pagaram pelo serviço. Entre os pesquisados, apenas 49,3% usaram o sistema público.
Não há dados específicos para o SUS. ‘‘Nós já temos outras pesquisas que indicam satisfação semelhante com os serviços públicos’’, disse o ministro Serra. Um levantamento feito pelo Ibope no ano passado mostrava um índice de 87% de satisfação com os atendimentos do SUS.
A pesquisa feita com a Pnad mostra que 7% dos brasileiros tiveram uma ou mais internações hospitalares no ano anterior à sondagem, um número considerado alto pelo ministério. Mas 79% consideram sua saúde boa ou muito boa.
As doenças crônicas (que precisam de tratamento contínuo) atingem cerca de 30% da população. E quanto menor a renda, maior o número de doenças. Enquanto 11% dos brasileiros com renda maior que 20 salários mínimos têm pelo menos duas doenças crônicas, entre os que ganham até um salário índice é de 16%.
A Pnad foi feita em 100 mil domicílios, atingindo 345 mil pessoas, em outubro de 1998. A principal pergunta era se os entrevistados haviam procurado serviços de saúde (públicos ou privados) nos últimos 15 dias.
Em caso positivo, se haviam sido atendidos - a que 98% responderam sim - e como qualificavam o atendimento.

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