Esperar a troca de dentes nas crianças para daí corrigir problemas já não é mais recomendado. Recursos como a ortopedia funcional conseguem resolver grande parte das distorções e até evitar a necessidade de aparelhos ortodônticos. Ou, quando isso não é possível, reduzir o tempo de uso. Uma das possibilidades - chamada de ''pistas diretas planas'' - consegue estimular o desenvolvimento dos ossos da face de forma que a dentição fique equilibrada e se mantenha assim depois da troca.
A dentista Karina Bonalumi, especialista em odontopediatria, de Londrina, explica que as pistas são usadas para mordidas cruzadas. Mesmos nos dentes ainda de leite é possível perceber esses casos - que podem variar entre a mandíbula maior que a maxila, e os dentes inferiores por fora em relação aos superiores, ou o contrário, a maxila maior que a mandíbula, e os dentes superiores bem à frente dos inferiores. A mordida correta, explica a dentista Fabiana Sato, também de Londrina, deve ser como uma ''tampa em cima da panela'', em que a parte de cima dos dentes é um pouquinho maior, ''o suficiente para cobrir a parte de baixo, mas não de forma justa''.
As pistas, segundo Karina, são facetas de resina fotopolimerizáveis moldadas aos dentes, deixando-os maiores e mais espessos e, com isso, mudando a posição errada em que estavam para a correta. Isso é feito em apenas dez minutos, dentro do consultório, e o objetivo é fornecer suporte para que a mandíbula e a maxila fiquem em equilíbrio.
Com o tempo, a mudança nesses dentes - mesmo que produzida de forma artificial - colabora para um crescimento saudável dos ossos da face, e os dentes naturalmente vão adquirindo a posição ideal. ''Devagar, vamos removendo essa resina, até que a boca esteja em equilíbrio'', explica Karina.
Uma das vantagens do método, além da instalação tranquila, é que a utilização da resina nos dentes não demanda colaboração da criança. ''Em uma criança de dois ou três anos de idade isso é bem complicado'', aponta Karina.
O odontopediatra ressalta que não adianta esperar a troca de dentes, acreditando que a mordida cruzada vai sumir. ''O problema, se não for corrigido, persiste no dente permanente com a troca de dentição'', afirma.
Outro porém de esperar a criança chegar à adolescência para aí resolver a mordida cruzada, segundo Karina, é a descarga hormonal nessa fase que, entre outros fatores, promove o crescimento da mandíbula. ''Se ela tem o que chamamos de classe 3 (mandíbula maior que a maxila) não há o que segure esse crescimento. O problema vai se agravar, e às vezes nem o aparelho fixo vai resolver'', aponta.
Os casos de mordida cruzada, aponta Karina, são corrigidos só com as pistas, ''mas não quer dizer que lá na frente esse criança não vai precisar de aparelho fixo''. Outros problemas como dentes rotacionados ou fora do lugar e até casos de classe 3 que precisam de um acompanhamento maior podem demandar o uso da ortopedia. ''Mas, aí, com certeza, o tratamento será bem mais rápido'', ressalta.

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