Dengue tipo 3 assusta secretaria
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de março de 2001
Ana Wambier Agência FolhaDo Rio de Janeiro 
A possibilidade de ocorrer um surto de dengue do tipo 3 -um dos mais graves e que pode evoluir para a dengue hemorrágica- na cidade do Rio assusta a Secretaria Estadual de Saúde.
Na sexta-feira, o primeiro caso do município (e o segundo do país) foi registrado no bairro do Leblon, na zona sul. A secretaria decidiu intensificar o trabalho de combate a focos do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da doença.
O alerta para a possibilidade de uma contaminação em massa foi dado pela superintendente de saúde do Rio, Yolanda Bravin. Segundo ela, o surto é possível porque a maioria das pessoas possuem anticorpos apenas da dengue do tipo 1 e 2 (as mais comuns).
A imunidade a um vírus só existe se a pessoa já o contraiu anteriormente. Com um novo vírus de dengue (que nunca havia sido notificado no município) as pessoas não têm anticorpos capazes de torná-las imunes à doença e o surto pode surgir, diz Bravin.
A coordenadora de epidemiologia do município do Rio, Meri Baran, afirma que o surto é um risco em potencial. O vírus do tipo 3 circula, em geral, na América Central, mas agora nós também corremos o perigo de tê-lo aqui não apenas como fato isolado. As pessoas estão mais suscetíveis a contraí-lo. Com medo de uma contaminação generalizada da dengue do tipo 3, a secretaria intensificou os trabalhos no combate ao mosquito transmissor da doença no Leblon, onde o primeiro caso foi registrado.
Agentes de saúde estão visitando o bairro para aplicar o larvicida em locais considerados ideais para a reprodução da larva, além de distribuir panfletos e cartazes nos condomínios da região.
Segundo a Secretaria Estadual, Niterói (14 km do Rio), já tem configurado um surto da dengue tipo 1, especialmente na região litorânea, e Três Rios (123 Km do Rio) registra surto do vírus do tipo 2.
Para reforçar o combate à doença, a secretaria começa a distribuir hoje 127 microscópios para os municípios do Estado com o objetivo de melhorar os métodos de identificação da larva do Aedes.


