Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para Folha
Ney de SoyzaPopulação tem enfrentado longas filas nos postos de saúdeO surto de epidemia de dengue no Departamento paraguaio (equivalente à Estado) de Alto Paraná, aliado à morte de uma jovem em Ciudad del Este que teve a doença diagnosticada, provocou uma correria aos postos de saúde do Brasil e Paraguai de pessoas que temem contrair a doença na fronteira. Outros três paraguaios que apresentavam os sintomas da doença morreram, mas não havia confirmação se a morte foi causada pela doença.
Maria Carolina Godoy Fernandes, estudante paraguaia de 23 anos e que morava na cidade vizinha de Foz, teve o diagnóstico da doença confirmado em exames laboratoriais e ficou dez dias internada. A morte da jovem foi informada sexta-feira por médicos e funcionários da 10ª Regional de Saúde do Paraguai, mas existe ainda a possibilidade de Maria Carolina ter morrido por outra causa. Amostras das vísceras da jovem e das outras três pessoas mortas foram encaminhadas a um laboratório brasileiro de São Paulo. O resultado deve sair em uma semana.
A desinformação está fazendo com que os moradores da fronteira procurem a vacina contra febre amarela, doença transmitida pelo mesmo mosquito hospedeiro da dengue (Aedes Aegypti). Segundo os funcionários da Vigilância Sanitária de Foz do Iguaçu que estão vacinando os turistas e sacoleiros que passam pela Ponte da Amizade (acesso que liga Ciudad del Este a Foz do Iguaçu), somente 600 aplicações eram feitas diariamente até quarta-feira na aduana brasileira. O medo da epidemia que atinge o Paraguai, onde 284 casos foram confirmados e outros 3 mil estão passando por análises clínicas, elevou o número de vacinações para 1.550 doses na quinta-feira. ‘‘A vacinação ultrapassou 3 mil aplicações diárias neste final de semana’’, disse um dos agentes sanitários, referindo-se aos levantamentos ocorridos até sábado, pois ontem não teve vacinação na aduana da ponte.
Apesar da imunização não funcionar contra a dengue, muitas pessoas (maioria paraguaia) não sabiam da inexistência de uma vacina específica contra a doença e insistiram em receber a aplicação antes de voltar a atravessar a fronteira, congestionando o tráfego na ponte.
A diretora da Vigilância à Saúde de Foz (órgão que envolve vigilâncias sanitária, epidemiológica e ambiental), Aparecida Maria Steinmacher, disse que a vacinação contra a febre amarela começou a ser intensificada ontem, com a montagem de dez postos itinerantes que foram distribuídos nos supermercados da cidade. Cerca de 50 mil doses estão à disposição dos moradores e turistas.
Mesmo depois de ter completado cinco meses de campanha, levantamentos da Secretaria de Saúde de Foz informaram que metade da população da cidade, cerca de 120 mil dos 250 mil habitantes, não foi vacinada. Em Foz, há oito casos confirmados de dengue e, até agora, não houve registro de nenhum caso de febre amarela.

mockup