Londrina - A coordenação de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde alerta para o risco de uma alta taxa de letalidade nos casos de dengue em Londrina em 2013, o 20º ano de combate à doença tropical na cidade. De acordo com o coordenador Elson Belisário, o volume de casos confirmados neste ano é uma preocupação secundária em relação ao temor pelo número de mortes que a doença pode provocar.
Desde 1994, quando o Aedes aegypti começou a infectar a população com o vírus da dengue no município, foram confirmados 19.175 casos, a maioria deles concentrada nas duas epidemias registradas até hoje. Em 2003, foram 7.352 casos confirmados, e em 2011, na maior delas, o número chegou a 7.412 vítimas. As duas epidemias somam 76% do total de casos da história da doença na cidade.
O motivo da preocupação é o aumento da taxa de mortes entre os doentes. Os 19 balanços anuais mostram que a cidade registrou oito mortes por dengue no período. Metade delas aconteceu na última epidemia em 2011. Somente em outros dois anos, foram registradas mortes, em 2003 e 2010.
Belisário justifica a preocupação com as formas graves da doença baseado no grande número de londrinenses que já foram infectados pelo mosquito. "Se aplicarmos o cálculo de subnotificação do Ministério da Saúde, que multiplica por oito os casos confirmados, muita gente na cidade, se infectada novamente, pode desenvolver os tipos mais graves da doença", alerta.
A estimativa da Secretaria Municipal de Saúde aponta, portanto, que 153,5 mil moradores já teriam sido infectados desde 1994, o que representaria 29,74% da população de Londrina em 2012.
A explicação para o temor de um número ainda maior de mortes do que em 2011 está no risco de reincidência. Quem já foi infectado pode desenvolver a síndrome de choque hemorrágico, que ocorre quando pessoas imunes a um vírus devido a infecção passada já resolvida são infectadas por outro tipo vírus. Os anticorpos produzidos não são específicos suficientemente para neutralizar o novo vírus, produzindo hemorragias que causam risco de morte. Outro receio é a proliferação do tipo 4, variação ainda mais grave da doença.
A coordenadoria de Endemias, no entanto, está otimista em relação ao volume de casos que será registrado este ano. "O histórico de Londrina mostra que as duas epidemias registradas começaram a se caracterizar ainda na primavera. Este ano, isso não aconteceu e temos uma expectativa de um número menor de casos, com números semelhantes a 2012", explicou.
No ano passado, foram registrados 100 casos, a maioria nas zonas oeste e norte, que representaram praticamente a metade do total. A incidência maior por grupo de mil habitantes ocorreu na zona rural e na zona oeste.
Contudo, historicamente, a área que mais preocupa em 2013 é a zona leste, onde há um número expressivo de recicladores informais (catadores de papel) que usam pontos improvisados para armazenar materiais recicláveis, prática considerada vilã nos esforços de combate ao mosquito.
Em 2013, já foram confirmados nove casos. No mesmo período do ano passado, a estatística apontava 37 pacientes infectados. Ainda assim, 2012 registrou o melhor resultado em seis anos. "Hoje temos uma equipe grande de agentes, cerca de 270 pessoas, trabalhando. Este contingente começou a trabalhar em maio e conseguimos controlar o número de casos. Em 2010 e 2011 o resultado não foi bom e o número de agentes era muito pequeno, cerca de 50 pessoas", afirma. Em 2010, foram 2.072 casos, espalhados ao longo do ano, o que não configurou uma epidemia.
Conforme Belisário, outro ponto positivo na atual guerra contra o mosquito é a integração na limpeza, que começou a ser implementada no outono do ano passado e que foi ratificada pela nova administração. "Antes, ficávamos com todo o trabalho dos mutirões. Hoje temos apoio de outros setores da administração, principalmente da CMTU", compara.

Imagem ilustrativa da imagem Dengue: histórico aumenta risco de letalidade
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