Brasília, 02 (AE) - O governo de São Paulo está preocupado com o risco do surgimento de novos casos de dengue hemorrágica. O secretário Estadual de Saúde, José Guedes, admitiu hoje, em Brasília, que não tem condições de evitar a doença sem o apoio da população. Ele está entrando em contato com prefeituras e escolas para montar estratégias de esclarecimento e de combate aos criadouros residenciais do mosquito Aedes aegypi.
Sem registros no ano passado, São Paulo notificou o primeiro caso de dengue hemorrágica há três semanas. "Nunca estive tão preparado para o combate à dengue", disse Guedes, referindo-se à estrutura de pessoal e equipamento. "O problema é que a população ainda não tem medo da dengue e mantém nas residências criadouros do mosquito", afirmou o secretário.
Ele admite que a falta de um maior apoio da população de São Paulo é resultado de uma falha de comunicação do governo estadual. "Ainda não conseguimos encontrar a fórmula de sensibilizar nossa população para que ela decida acabar com a dengue", afirmou. "Estamos falando com lideranças, professores e prefeitos para por força, mais carisma nessa luta pela informação", contou Gudes.
A situação se complica porque o Estado vem acumulando nos últimos anos um estoque de pessoas infectadas por um dos quatro tipos de vírus da dengue. Alguém que já teve a doença e é reinfectado por outro vírus, pode apresentar no organismo uma reação hemorrágica. Guedes foi pessoalmente a Rio Preto, onde 96 municípios já registraram este ano mais de 400 casos de dengue. De lá saiu o primeiro registro da doença em sua forma hemorrágica. "Irei, agora, para a Baixada Santista, onde tivemos mais de seis mil casos em 1998", explicou. Febre Amarela - No Distrito Federal, o secretário de Saúde, Jofram Frejat, está vacinando parte da população do Plano Piloto contra a febre amarela. Segundo ele, uma criança índia de 10 anos chegou a Brasília recentemente e teve o diagnóstico confirmado da doença. A criança estava em uma pensão paga pela Fundação Nacional do Índio (Funai), onde convivia com vários outros índios. O risco da reintrodução da febre amarela urbana mobilizou as equipes de saúde. "Estamos chamando as pessoas da redondeza para tomarem a vacina como forma de prevenção", explicou Frejat.

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