Dengue hemorrágica mata mais no Brasil
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quinta-feira, 16 de outubro de 2003
Agência Estado 
Brasília- O índice de letalidade da dengue hemorrágica no País cresceu de 2001 para cá e hoje é seis vezes maior do que o aceito pela Organização Panamericana de Saúde (Opas). A informação foi divulgada ontem, durante a apresentação da campanha de combate à dengue, que este ano deve ter duas etapas.
De janeiro a setembro, foram registrados 615 casos de dengue hemorrágica, com 40 mortes. Número menor do que 2002: 2.714 pacientes, com 150 mortes. Mas a letalidade é maior: 6,5% diante de 5,56% registrada em 2002.
A meta do Ministério da Saúde para 2004 é reduzir o número de casos de dengue clássica em 25% sobre o total registrado em 2003 - de janeiro a setembro foram 298.135 casos.
O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, citou a importância do diagnóstico rápido da dengue hemorrágica para reduzir o número de óbitos. Também destacou a necessidade de treinar profissionais de saúde e ter uma estrutura mais racional da rede de atendimento. Este ano, afirmou, foram treinados 8 mil profissionais de saúde. ''É preciso fazer um diagnóstico rápido da dengue hemorrágica. Uma hora a mais para o início do tratamento faz uma grande diferença.''
O Ministério da Saúde comemora, no entanto, a redução do número total de casos da doença. Entre janeiro e setembro deste ano, foram confirmados 298.135 casos de dengue. Número 61,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Embora a queda tenha sido significativa, não está descartada a ocorrência de uma epidemia.
''A redução foi o primeiro passo. Mas temos agora um desafio. Pelas condições ambientais do País, se ficarmos passivos, o natural é que tenhamos uma epidemia. Somente nossa ação pode impedir que isso ocorra'', advertiu Barbosa. Há, ainda, outra ameaça: o surgimento no País do vírus da dengue tipo 4. Este vírus já foi registrado no Peru, Venezuela e Caribe. ''Ele pode chegar ao País a qualquer momento.''
O ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou que a primeira etapa da campanha traz uma mensagem de alerta sobre os riscos provocados pelo descuido com locais com potencial para se transformar em criadouros do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti. Com o slogan ''Não dê chance para a dengue'', a campanha prevê a distribuição, a partir deste mês, de 10 milhões de folderes, 2 milhões de cartazes, 3 filmes de 10 vinhetas para a TV, além de spots para rádio e publicidade em transportes coletivos.
Na segunda etapa, que começa em novembro, o foco será o Dia Nacional de Mobilização contra a Dengue, marcado para 29 de novembro. ''Temos de reduzir o número de criadouros. Este é a maneira mais eficaz de controlar o número de casos'', diz Barbosa. Para detectar a taxa de infestação domiciliar do Aedes aegypti o ministério contará este ano com um novo método de pesquisa.


