Brasília - O Brasil voltou a apresentar em 2001 crescimento significativo no número de casos de dengue, com um agravante: os registros da versão hemorrágica da doença, inclusive de mortes, registraram crescimento ainda maior. De acordo com boletins da Fundação Nacional de Saúde (FNS), órgão do Ministério da Saúde responsável por doenças epidemiológicas, os casos de dengue hemorrágica cresceram de 51, em 2000, para 675 no ano passado. As mortes provocadas por esse tipo da doença passaram de 3 para 28 no mesmo período.
No ano passado, 391 mil pessoas foram diagnosticadas com dengue, 63% a mais que em 2000. No pico da última epidemia, em 1998, 528 mil pessoas contraíram a doença, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A rápida evolução da dengue já havia sido detectada no início do ano passado pela FNS por meio do aumento de focos do mosquito. Em 2000, 3.587 municípios brasileiros - 65% do total - estavam infestados com focos de Aedes aegypti. Em 1998, a infestação atingia 2.910 cidades. Além disso, os casos de dengue notificados até junho de 2001 já ultrapassavam o total de 2.000.
A situação é mais grave no Rio de Janeiro, onde o número de doentes cresceu de 4.000 para 68 mil, entre 2000 e 2001. O Rio é o único Estado onde há confirmações de casos de três variedades da doença, o que facilita a incidência da dengue hemorrágica. No ano passado, 425 pessoas contraíram a variedade mais grave da doença e 12 morreram.
A dengue hemorrágica é fatal apenas se não for diagnosticada e tratada a tempo. Também foram notificadas mortes por dengue hemorrágica, no Ceará, Mato Grosso e São Paulo. Apesar da preocupação generalizada, o número de registros de dengue diminuiu em oito Estados: Rondônia, Roraima, Paraíba, Pernambuco, Sergipe, Espírito Santo, Paraná e Mato Grosso.

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