Dengue e animais peçonhentos, dois problemas de uma mesma origem
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domingo, 22 de fevereiro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
Londrina - Casos de dengue e acidentes com animais peçonhentos podem ter mais coisas em comum do que se imagina. Isso porque um terreno baldio com mato alto, um dos ambientes que levam à criação de focos do mosquito Aedes aegypti, pode servir também de abrigo para serpentes, aranhas e escorpiões. "Quando tem criadouro do mosquito nestes lugares, é quase certo que tem outros bichos por ali. É como se fosse um kit, um pacote", comenta o veterinário Valmor Venturini, da Vigilância Ambiental de Londrina.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, de 2004 a 2013 a incidência de acidentes com animais peçonhentos aumentou 65% no País, passando de 47,3 casos para cada 100 mil habitantes para 78,5. No Paraná, o crescimento no período foi menor - 13%, mas o Estado contabilizou 121,4 situações por 100 mil habitantes em 2013, taxa bem acima da nacional.
Dos 26 estados mais o Distrito Federal, o Paraná ficou em sexto no ranking de unidades da federação com maior incidência deste tipo de acidente. Estava atrás apenas de Alagoas (252,2), Tocantins (152,5), Minas Gerais (141,8), Santa Catarina (140,6) e Rio Grande do Norte (138,0). Os dados de 2014 ainda não estão fechados.
Na região de Londrina, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), de janeiro até novembro de 2014 foram registrados 249 acidentes por animais peçonhentos. O número já é 80% superior ao contabilizado em 2004 pelo órgão, 137. Esta diferença de percentual ao longo dos últimos 11 anos, explica o diretor de Vigilância em Saúde da 17ª Regional de Saúde (RS), José Carlos Morais, se deve a um conjunto de fatores. "O aumento das notificações no sistema, que se tornaram obrigatórias, pode ser um dos motivos, mas é um problema que volta a crescer depois de algum tempo sem cuidado", observa.
Ele relata que ações de prevenção à proliferação de animais peçonhentos vêm sendo feitas, mas que fica difícil manter os índices baixos de acidentes com o aumento do acúmulo de resíduos sólidos nas áreas urbanas e o crescimento desenfreado das cidades. Ao mesmo tempo, nas áreas rurais, nota-se cada vez mais a perda de fontes naturais de alimentos para animais como cobras e escorpiões, a partir do uso de agrotóxicos.
"Faltam políticas de manejo do lixo em muitos municípios. Somente em Londrina, são 300 pontos de descarte irregular. Estas áreas fornecem alimentos para este tipo de animais, eles saem em busca disso. A limpeza vale para evitar animais peçonhentos, caramujos, mosquito da dengue. Ninguém merece sujeira", reforça Morais.
Cuidados
Com casos em ascensão ou não, é essencial que a comunidade faça sua parte na escala de prevenção, ensina o veterinário da Vigilância Ambiental de Londrina Valmor Venturini. Para ele, a explicação para o surgimento de animais peçonhentos é simples. "Eles procuram lugares onde possam encontrar cinco As: abrigo, acesso, alimento, água e acasalamento. Se tiverem isso, obviamente terão condições de sobreviver", diz.
A limpeza é o primeiro passo em relação aos cuidados. Deve-se evitar o acúmulo de lixo e entulhos em quintais e terrenos baldios, além de vedar ralos, frestas e buracos de paredes e assoalhos. Ao fazer serviços na área rural ou jardim, é importante usar botas impermeáveis, com cano alto, e luvas de couro. A orientação é não colocar a mão dentro de ocos de troncos de árvores ou buracos na terra. Para isso, deve-se usar enxadas ou um pedaço de madeira. Também é importante examinar roupas e calçados antes de usá-los.
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