São Paulo, 07 (AE) - Os policiais do Departamento Estadual de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) apreenderam na tarde de ontem (06) 957 quilos de maconha e prenderam dois paraguaios e dois brasileiros que fazem parte do principal cartel da maconha do Paraguai.
O cartel é o responsável, segundo a polícia, pela venda em São Paulo e no Rio de uma tonelada de maconha a cada dez dias.
A maconha estava no fundo falso da carroceria de uma carreta Mercedes-Benz deixada pelos traficantes num posto de gasolina do quilômetro 38 da Rodovia Castelo Branco.
Eram 500 tijolos avaliados em R$ 1,5 milhão. O delegado Robert Carrel que chefiou os policiais para a prisão dos paraguaios Miguel Sicínio Chilavert, de 37 anos, Oscar Antônio Lima Nogueira, de 25, e dos brasileiros Mauro Cesar Barbosa, de 29, e Mauro Cegueto Muniz, de 42, declarou ter sido a maior apreensão desde 1997.
Miguel contou ao delegado que é primo do goleiro Chilavert da seleção paraguaia e do Velez Sarsfield, da Argentina. Ele acredita que o jogador ignore a condição de traficante.
Os policiais do Denarc que se passaram por compradores da maconha negociaram com Miguel durante duas semanas. "Jamais imaginei que estava tratando a venda com policiais", disse o traficante.
O acerto final para o pagamento e o recebimento da maconha foi feito ontem pela manhã, no Hotel Picadily, na Avenida Rio Branco, em Santa Efigênia.
Chilavert acompanhou um dos investigadores até a Rodovia Castelo Branco para mostrar o caminhão. Nogueira ficou no hotel com outros dois policiais que também se passaram por compradores.
No posto de gasolina, Chilavert recebeu voz de prisão junto com Muniz e Barbosa, estes encarregados da segurança da maconha e do caminhão, pelo delegado Carrel e outros policiais que seguiram o traficante e o "comprador." A maconha estava protegida por uma chapa de aço que cobria o fundo falso da carreta. Os tijolos pesavam de 2 a 3 quilos cada e os traficantes cobraram 300 reais o quilo.
Carrel explicou que a maconha é considerada de excelente qualidade, não tem sementes e, segundo os presos, é do tipo que o cartel exporta para a Europa.
Os policiais informaram que, em São Paulo e no Rio, dois gramas desta maconha, produzida em Pedro Juan Caballero, custam 10 reais.
O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo
Marco Vinício Petrelluzzi, esteve no Denarc, elogiando o trabalho dos policiais. Ao sair, recomendou cuidado para o local onde a maconha seria deixada.
Petrelluzzi não quer que se repitam roubos como o do Instituto Médico-Legal (IML) de Campinas, no interior de São Paulo, de onde foram levados 323 quilos de cocaína. Os 957 quilos fora trancados numa cela.

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