Demosthenes nega na PF ter discutido operação com Malan
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de maio de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 10 (AE) - Em depoimento à Polícia Federal na sexta-feira (07), o ex-diretor da área Externa do Banco Central Demosthenes Madureira de Pinho Neto negou que as operações de ajuda aos bancos Marka e FonteCindam tenham sido discutidas nas reuniões que ele próprio e o então presidente em exercício do Banco Central, Francisco Lopes, tiveram com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e com o presidente Fernando Henrique Cardoso nos dias 14 e 15 de janeiro. Demosthenes diz que ele e Lopes se reuniram com Malan, com o presidente Fernando Henrique e com o então secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, em almoço no Palácio do Alvorada no dia 14 para conversar sobre o andamento da economia no primeiro dia do funcionamento da nova política cambial da banda larga.
No dia 14 à noite, os quatro (menos FHC) voltaram a se encontrar em um jantar no restaurante da Academia de Tênis de Brasília, onde Lopes se hospedava. Segundo Demosthenes, no dia 15 pela manhã Malan e Bier "apareceram de forma inesperada no Banco Central" e se reuniram com ele (Demosthenes) e Lopes em uma sala contígua à usada por Lopes. Neste mesmo dia, por volta das 12h30, os quatro foram ao Palácio da Alvorada para conversar com o presidente Fernando Henrique e com o ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, sobre a situação da economia no País em decorrência da decisão do Banco Central de não intervir no mercado.
Demosthenes afirmou, no depoimento à Polícia Federal, que "categoricamente" em nenhuma dessas reuniões foram discutidas as operações de ajuda aos bancos Marka e FonteCindam. O objetivo da reunião matutina, segundo Demosthenes, era continuar a avaliar a reação do mercado financeiro. De acordo com seu depoimento, Malan não sabia e nem participou da decisão de ajudar os dois bancos.
Demosthenes Madureira disse que o voto da diretoria do Banco Central que autorizou as operações com os bancos Marka e FonteCindam só foi redigido no dia 15 de janeiro, após as operações de venda de dólares no mercado futuro terem sido realizadas pelo Banco Central. Segundo ele, a decisão de realizar as operações foi tomada no dia 14. Mas o voto só foi redigido depois que a carta da BM&F, que pedia providências do BC para evitar uma crise sistêmica, chegou ao Banco Central.
Os depoimentos de Demosthenes e de mais seis funcionários do Banco Central prestados à Polícia Federal na sexta-feira passada já estão com os integrantes da CPI do Sistema Financeiro.


