Demósthenes Madureira depõe na CPI
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terça-feira, 11 de maio de 1999
por José Ramos, da AE 
Brasília, 12 (AE) Terminou há pouco, às 00h50, o depoimento do ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central Demósthenes Madureira de Pinho Neto à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do sistema financeiro. Durante quase seis horas de depoimento, durante o qual não se intimidou diante das ironias dos senadores mais agressivos, o diretor procurou reproduzir o clima no qual foi tomada a decisão de auxiliar os bancos Marka e Fonte-Cindam com a venda de dólares no mercado futuro. Ele afirmou que a decisão do Banco Central de não intervir no mercado de câmbio em 15 de janeiro foi tomada para evitar que o Brasil entrasse em uma situação de "pré-moratória". Segundo o diretor, após a perda de bilhões de dólares nos dias anteriores, a diretoria avaliou que naquele dia 15 o mercado demandaria cerca de US$ 10 bilhões. Se fosse feita esta venda, as reservas internacionais seriam comprometidas e ficariam abaixo do limite mínimo determinado pelo Senado, que é de quatro meses de importação. "A situação seria de pré-moratória", afirmou Madureira. O diretor informou que o ministro da Fazenda esteve no Banco Central na manhã daquele dia e participou da decisão de não intervenção. Demósthenes disse que a decisão referia-se apenas àquela Sexta-feira, e que não havia decisão sobre a mudança de regime cambial que resultou na flutuação livre do câmbio. Isto somente teria sido decidido na noite de Domingo, segundo o diretor.


