São Paulo, 9 (AE) - O trânsito parou hoje em frente à sede da Comgás, na Rua Augusta, em São Paulo. Mas o protesto contra a companhia nada tinha a ver com a licitação da área 2 do gás natural no Estado, realizada no antigo predio da Bolsa de Valores pela manhã. A concessão foi arrematada pelo consórcio italiano formado pela Agip por R$ 274,9 milhões, com ágio de quase 150%. Na rua, contudo, o Sindicato da Contrução Civil protestava por causa de quantia menor: R$ 360 mil para pagamento de salários e indenizações trabalhistas a 108 demitidos da Henisa, empresa que até agosto prestou serviços para a Comgás e teve o contrato cancelado.
O protesto começou de madrugada, às 3h30. Trabalhadores colocaram na rua duas retroescavadeiras, que atrapalharam o trânsito da Rua Augusta nos dois sentidos. A polícia, mais tarde
tentou negociar a retirada das máquinas mas o Sindicato da Construção Civil e os manifestantes afirmaram não ter responsabilidade sobre o equipamento. O sindicalista Moisés Antônio Oliveira foi detido por se recusar a retirar as máquinas da rua.
A Comgás distribuiu uma nota de esclarecimento na qual afirma não ter pendências financeiras com a Henisa e, portanto, nenhuma responsabilidade sobre salários atrasados ou não pagamento de direitos trabalhistas. A Henisa, segundo a nota da Comgás, foi contratada por meio de licitação pública para realizar, em 15 meses, a colocação de 140 quilômetros de de tubos plásticos (polietileno) na antiga rede de distribuição de gás natural, reduzindo riscos de vazamento. O contrato não teria sido cumprido, de acordo com a Comgás, no que se refere a prazos e qualidade dos serviços. Assim, a empresa optou por não renová-lo.

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