Brasília, 01 (AE) -Cerca de cinquenta trabalhadores demitidos da Fundação Nacional de Saúde (FNS), no Rio de Janeiro
invadiram hoje, por volta das 13 horas, o gabinete do ministro da Saúde, José Serra. Eles estenderam faixas e gritaram palavras de ordem. Ficaram mais de uma hora e só saíram após um acordo firmado entre o secretário-executivo do ministério, Barjas Negri
e uma comissão de demitidos e parlamentares. Pelo acordo, Negri comprometia-se a conseguir uma audiência de Serra com a comissão de manifestantes.
Outro grupo de manifestantes aglomerou na porta, impedindo a entrada de funcionários e visitantes no ministério. A manifestação foi acompanhada por um pelotão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do DF.
A invasão do gabinete de Serra ocorreu após várias tentativas frustradas de audiências dos manifestantes com o ministro. Revoltados e exigindo a reintegração de 6 mil ex-funcionários da FNS, demitidos há cinco meses, o grupo de manifestantes ocupou o 5º andar do ministério, onde fica o gabinete do ministro da Saúde. Inicialmente, eles ficaram na porta do elevador. Em seguida, já com um número significativo de manifestantes, os demitidos foram até a ante-sala de Serra e invadiram rapidamente seu gabinete.
Antes da invasão do gabinete quebraram a moldura de um quadro do presidente Fernando Henrique Cardoso. Dentro do gabinete de Serra, enquanto uns esticavam faixas, outros ocupavam os assentos aguardando a chegada o ministro, o que ocorreu uns cinco minutos após a invasão. Serra teve seu gabinete invadido enquanto estava na Organização Pan-Americana de Saude (Opas) divulgando os números da aids no Brasil.
Vandalismo - Ao entrar no gabinete, Serra foi pressionado pelos manifestantes, que o cercaram. Irritado e com o dedo em riste, o ministro alertou os manifestantes que não negociava sob pressão. "Isso é vandalismo, não vou negociar desse jeito", disse Serra. Antes, Serra bateu boca com os manifestantes. Sem negociação, o ministro, irritado, foi para a sala do secretário-executivo Barjas Negri. Em seguida, um pelotão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar chegou ao gabinete para negociar a retirada dos manifestantes. A PF também enviou homens do Comando de Operações Tãticas (COT).
Após deixarem o gabinete de Serra, os manifestantes fizeram um assembléia na porta do ministério e decidiram permanecer no local até uma solução para o problema. Eles ameaçam fazer greve de fome, se os demitidos não forem reintegrados. Alguns dos demitidosn foram contaminados por inseticidas usados no combate à dengue.
Serra acionou o Ministério Público e a Polícia Federal para que apurem responsabilidades sobre a invasão de seu gabinete e as agressões a seus funcionários. Serra avisou ainda que "não há a menor hipótese" de os contratos cancelados em junho do ano passado, serem renovados. "Essas pessoas são vítimas da exploração política", assegurou o ministro.
José Serra explicou que estes contratos com a FNS foram assinados há muitos anos, a título precário, e seguidamente renovados. O ministro disse ainda não haver nenhum caso, em prefeituras ou mesmo na Funasa, de contratação de pessoas para fazer trabalho de combate à dengue quando existem 1.700 funcionários da fundação para desempenhar essa mesma função.
O ministro Serra, ao comentar a invasão ao Ministério, afirmou que portas foram quebradas, que o retrato do presidente da República foi destruído, uma funcionária e um guarda empurrados. "Foi pura provocação, provavelmente para tentar obter alguma vítima", declarou Serra, acrescentando que esse tipo de ato "não tem nada a ver com reivindicação". "É provocação", insistiu.

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