Munique, 29 (AE-AP) - O repórter de televisão que garantiu ter filmado atrocidades na Chechênia admitiu hoje (29) que não estava presente quando o vídeo foi feito e que, na verdade, obteve as imagens de um jornalista russo.
A estação de televisão N24, de Munique, comunicou que despediu Frank Hoefling depois de ele ter admitido que comprou o vídeo filmado em 17 de fevereiro por um jornalista trabalhando para o jornal russo Izvestia. O governo russo havia divulgado a mesma história, e negado que as imagens eram evidência de abusos dos direitos humanos.
O vídeo que foi divulgado na semana passada mostrava corpos empilhados numa vala e um corpo sendo arrastado por um caminhão. Pelo menos um dos corpos tinha uma orelha cortada, com a estação anunciando que poderia ser um sinal de que homens haviam sido torturados.
As imagens causaram um furor internacional e renovou pedidos de líderes internacionais para que investigadores dos direitos humanos tivessem acesso à Chechênia.
Num comunicado, a estação afirmou que Hoefling havia dado a impressão em suas reportagens e em conversas telefônicas de que havia encontrado ele próprio a suposta vala comum - mesmo quando confrontado com versões conflitantes.
A N24, uma estação de notícias que entrou no ar há apenas cerca de um mês, pediu desculpas ao jornalista russo Oleg Blozki pelo uso incorreto das imagens.