Londrina - A sexta maior companhia do setor de agronegócios no País, a Milenia Agrociências, confirmou ontem a demissão de 180 funcionários de todos os setores do parque industrial instalado na Zona Norte de Londrina - 120 efetivos e 60 que trabalhavam como colaboradores temporários. Foram mantidos 400 funcionários. No início da noite foi anunciada também a saída do diretor-presidente da companhia, Luiz Baroni, que havia comandado no meio da tarde entrevista coletiva para falar das readequações.
Baroni falou da atual conjuntura do mercado agroquímico para justificar os desligamentos. Segundo ele, o setor sofreu uma grande desregulamentação. ''Houve uma grande mudança nas normas de registros de produtos, diminuindo sensivelmente os custos e facilitando a entrada de novos concorrentes. Isto tem provocado um aumento significativo de produtos e empresas, levando a uma grande queda nos preços e redução nas margens de lucros.'' De acordo com o executivo, a demanda não acompanhou a velocidade de produção, causando queda nos preços.
A outra unidade brasileira da companhia, instalada em Taquari (RS), não sofrerá cortes por enquanto. ''Conduziremos um processo (de readequação) lá, mas só no próximo ano. Temos compromissos a cumprir e condições de manter a empregabilidade no momento'', disse o então presidente.
Além do quadro de funcionários, o processo atinge o portfólio da Milenia, que será readequado. Segundo Baroni, serão retiradas 12 formulações que apresentam pequenos volumes e com menor possibilidade de rentabilidade. Ele garantiu, porém, que a redução na lista de produtos nada tem a ver com operação realizada em julho do ano passado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Polícia Federal, que resultou na apreensão de 2,5 milhões de litros de agrotóxicos adulterados em Londrina e Taquari. Baroni também informou que os projetos de cunho social desenvolvidos na região onde a indústria está instalada (Jardim Eucaliptos) não serão interrompidos.
O processo todo deve reduzir os gastos da companhia em torno de R$ 30 milhões por ano, o que representa em torno de 20% das despesas. A empresa, que é filial do grupo israelense Makhteshim Agan, detém 6% do mercado brasileiro de agroquímicos, que movimenta US$ 7 bilhões ao ano. A companhia é resultado da fusão da empresa londrinense Herbitécnica com a gaúcha Defensa, adquiridas, respectivamente, em 1996 e 1997 pela multinacional.
De acordo com a assessoria de imprensa da Milenia, Luiz Baroni estava há 11 anos na função de diretor-presidente e estaria negociando seu desligamento desde o início deste ano. Um representante do grupo Makhteshim Agan deve ser nomeado para assumir temporariamente o cargo.

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